A independência

Quando cheguei ao Centro da Ajuda, em 1992, tinha a minha vida toda destruída, principalmente a nível financeiro, estando cheia de dívidas. Para além disso, tinha muitos problemas de saúde, sofria de enxaquecas e de um problema crónico no fígado. Por todos esses motivos, era uma pessoa muito triste e angustiada, sentindo-me vazia. Também era viciada no tabaco, desde os 12 anos, e gostava muito de beber.

Não me sentia motivada e, apesar de nunca ter tentado suicidar-me, tinha um desejo grande de morrer. E, apesar de não ter um mau salário, o que recebia não dava para nada, porque estava cheia de dívidas, tinha inclusive a luz e a água cortadas em casa. Tinha um filho, na altura com 18 meses, e nem leite havia para lhe dar, já que todo o dinheiro que recebia desaparecia”.

As primeiras mudanças
“Foi a partir da minha entrada no Centro de Ajuda que a minha vida se começou a transformar. A primeira mudança aconteceu no meu interior, onde a tristeza deu lugar à alegria, a angústia à tranquilidade e a vontade de morrer transformou-se em vontade de viver. Passei a ser uma pessoa motivada! E, apesar de não ter sido de um dia para o outro, também fui curada das dores de cabeça. Contudo, tive que enfrentar muitas lutas e a que me custou mais foi a de deixar o vício do tabaco. Aos poucos, fui-me levantando, pagando as dívidas e as portas da minha vida foram-se abrindo.

Consegui vender a minha casa e coloquei tudo em ordem, mantendo sempre o meu emprego. Comecei por trabalhar como florista e, mesmo sem experiência, fui sendo bem-sucedida. Todavia, os problemas na minha vida pessoal acabaram por me levar à falência. Então, tive que começar tudo de novo e fui trabalhar por conta de outrem.

Sempre participei nas reuniões das ‘Conquistas Financeiras’, mas, com o nascimento da minha filha mais nova, fui deixando de vir às segundas-feiras. Passado uns tempos, reparei que a minha vida financeira estava a estagnar e comecei a ver tudo a andar para trás, foi, então, que decidi voltar às reuniões das ‘Conquistas’”.

A independência
“Nessa altura, ainda não tinha um objetivo definido e o meu primeiro pedido foi que Deus me desse visão para prosperar. E bastava que as coisas no meu emprego começassem a melhorar. Algumas semanas depois, surgiu-me uma visão para trabalhar por conta própria, já que estava na área de lavandaria há vários anos e, infelizmente, o meu esforço não era reconhecido.

Então, surgiu-me a ideia de abrir uma engomadoria e, para isso, fiz um sacrifício na Fogueira Santa de Israel, em junho de 2011. Nesse momento, dei o meu tudo, foi muito difícil e chorei com a dor do sacrifício, mas, em agosto, já tinha o meu negócio aberto. Então, comecei a prosperar, as coisas foram crescendo, os clientes aumentaram e a loja tornou-se muito pequena. De novo, voltei a fazer um propósito numa Fogueira Santa para conseguir um espaço maior e consegui. A loja em que estou hoje é ainda maior do que a primeira e, desde o primeiro momento, que todos os dias chegam clientes novos”.

MARIA H. REIS – PORTO