Andreia Gouveia

testfolhaAndreia chegou ao Centro de Ajuda (CdA) viciada em vários tipos de drogas. Era uma pessoa triste, angustiada e vazia.

“Aos oito meses de gravidez só vomitava, chorava, não tinha vontade de viver e sentia um enorme vazio dentro de mim. Era suposto ser um momento feliz e sentir a maior alegria do mundo porque gerava um ser dentro de mim, mas comigo não foi assim”, conta Andreia.
A sua filha nasceu com pouco peso, o que fez com que ambas estivessem internadas duas semanas após o parto. Contudo, uma semana depois de terem alta, voltaram para o hospital pois a bebé não conseguia respirar.
“Foram assim os primeiros dois anos de vida da minha filha, com crises de falta de ar e ligada às máquinas. Comecei a procurar ajuda em bruxos, mas tudo piorou pois comecei a sentir raiva dentro de mim e ódio de toda a gente, principalmente de quem me amava de verdade, a minha família.
Foi nessa altura que falaram à minha mãe do Centro de Ajuda e, passado algum tempo, resolvi ir. Frequentámos as reuniões algumas vezes e a situação melhorou, mas depois afastámo-nos e tudo piorou. A minha mãe faleceu vítima de cancro e eu fiquei sozinha”, relembra.

O primeiro regresso
Algum tempo depois, voltou a frequentar o CdA e deitou fora todas as drogas que tinha na sua posse. Sentiu paz e tranquilidade e os problemas de saúde da sua filha desapareceram. No entanto, o facto de ainda não estar firme na Fé, fez com que aos poucos, e sem se aperceber, se fosse afastando novamente de Deus.
“Já não tinha forças nem ânimo para ir à luta. Perdi a paz e o amor, e o vazio voltou, fazendo-me sentir ainda pior do que da primeira vez.
Numa tentativa de fugir dos problemas e de preencher aquele vazio que existia em mim, comecei a beber a acabei viciada no álcool. Começaram as discussões com a família, voltei a sentir raiva, vontade de matar, ao mesmo tempo que sentia medo. Enfim, era um turbilhão de emoções e de sentimentos maus dentro de mim. O álcool deixou de ser suficiente e voltei para as drogas. O meu dia a dia era preenchido com álcool e cocaína”, conta.

Uma nova oportunidade
“Novamente recebi um convite para ir ao Centro de Ajuda e pensei ‘desta vez vou agarrar esta oportunidade e nunca mais a vou largar’. Cheguei ao CdA completamente perturbada, com insónias, a ouvir vozes e a ver vultos. Acordava sempre a sentir-me mal e com vontade de bater na minha filha. Tinha dores de cabeça e no corpo todos os dias e só queria ficar fechada no quarto às escuras, sem ver nem ouvir ninguém.
Iniciei as correntes de libertação no CdA e tive sempre alguém a acompanhar-me, que se preocupava e me apoiava em tudo, fazendo-me acreditar que sou capaz, que com Deus posso tudo.
Hoje, graças a Deus, estou liberta de todos os vícios que me consumiam e só me traziam sofrimento e dor.
Sinto uma paz enorme dentro de mim, sou feliz e sinto-me preenchida. Amo a minha filha, a minha família e a mim mesma! A minha maior riqueza é a presença de Deus na minha vida”, conclui Andreia.

Andreia Gouveia,
CdA de Setúbal (Av. do Alentejo, nº 30)