“As vozes diziam-me para esmagar a minha cabeça contra a parede”

As primeiras lembranças que Ana tem da sua infância são solitárias e miseráveis…

Quando tinha sete anos, Ana foi viver com o pai e foi aí que começou o seu sofrimento. “Nessa época, a minha madrasta começou a maltratar-me. Ela favorecia o meu meio-irmão e deixou bem claro que não gostava de mim.

O meu pai estava sempre a trabalhar e, quando estava por perto, mal se divertia comigo. Além disso, um familiar que morava connosco fez coisas estranhas comigo. No momento, não percebi que aquilo não era normal. Foi também nessa época que desenvolvi um desejo incomum de auto-prazer”, confessa.

DESCALABRO.
“Com o passar dos anos, desenvolvi baixa autoestima, sentia-me desvalorizada e, por causa da falta de amor-próprio, a minha vida sentimental também estava um desastre. Acreditava que tinha nascido para sofrer. O sexo tornou-se um vício e deixei que os meus desejos me controlassem. Manipulava os homens para ter o que queria.

O ódio pela minha mãe também era um problema. Pensava que ela não tinha feito o suficiente para me proteger e, por isso, não me amava.

A minha família estava uma confusão e não existia um sinal de união. Apesar de beber e encontrar conforto nos homens, as minhas necessidades não estavam a ser atendidas. Sentia-me vazia, suja e a pior pessoa do mundo.

Cheguei ao fundo do poço quando comecei a ouvir vozes. As vozes diziam-me para esmagar a minha cabeça contra a parede e me matar. A morte estava a chamar-me e isso atormentava-me. Só queria que tudo terminasse.”

SEM COMPROMISSO.
“Conheci o Centro de Ajuda através da minha mãe, mas eu não levava nada a sério.

Queria ajuda, mas pensava que nunca seria capaz de realmente mudar.

Demorou muito tempo para as mensagens das reuniões, dos conselheiros e das orações significarem algo para mim. Falei com a esposa de pastor e pela primeira vez na vida abri-me com alguém.

Contei-lhe o que se passava na minha cabeça e derramei todas as emoções que, antes, estavam escondidas. Esse foi o primeiro passo para a mudança. Após esse encontro, senti-me mais forte e percebi que podia mudar.”


MUDANÇA REAL.
“Decidi fazer um propósito de fé. Queria mostrar a Deus que a mudança que tinha pedido era verdadeira, que estava realmente decidida e não iria voltar aos velhos hábitos.

Ao deixar a bebida e a promiscuidade, pude sentir que estava a mudar. A minha transformação, no entanto, não aconteceu imediatamente. Foram cinco meses de muita paciência. Quando recebi o Espírito Santo, encontrei a resposta que tanto procurava. Fiquei tão feliz!

A minha mente e os meus planos mudaram. Pela primeira vez, experimentei a felicidade. Agora, a minha família está reunida e tenho uma visão completamente nova para cada área da minha vida. Estou a avançar em direção a um futuro brilhante.”

Ana Neto,CdA Inglaterra

Fonte: Folha de Portugal