“Assediada aos 13 anos”

“Fui abandonada pela minha mãe quando ainda era bebé. Fiquei num orfanato até aos meus doze anos quando fui adotada por uma família, onde fui alvo do primeiro assédio.

Tinha treze anos quando, numa madrugada, enquanto a esposa do meu padrasto estava fora a trabalhar, eu fui para o quarto dar de mamar à bebé e ele passou a mão pelo meu corpo, dando risada e mandando-me deitar na cama, saí dali a correr com a bebé no colo”, relembra Érica.

Na manhã seguinte, quando o padrasto acordou, foi procurá-la e ameaçá-la. “Olhei para ele assustada, as minhas pernas não me obedeciam. Ele olhou bem dentro dos meus olhos e disse em tom de ameaça para eu não contar a ninguém. Baixei a cabeça várias vezes, confirmando que não iria falar, pois estava completamente apavorada”, recorda.

Nesse mesmo dia, Érica tentou o suicídio. “Só que não consegui, pensando que nem para morrer prestava. Dias depois, uma professora procurou-me para saber por que é que eu estava tão agressiva. Após muitas tentativas, ela ganhou a minha confiança e eu abri-me. Um dia, mais fortalecida, resolvi fazer uma carta de agradecimento para essa professora e a minha mãe descobriu tudo”, acrescenta. Mas, em vez de apoio, a mãe voltou-se contra Érica e fê-la sentir-se culpada pelo ocorrido.

“Ela disse que eu tinha acabado com o casamento dela e colocou-me para fora de casa. Saí humilhada, despedaçada, sentia dores nas partes íntimas na hora do banho e tinha nojo de mim mesma. Entrei em depressão e tentei o suicídio novamente”, desabafa.

Perdoar e seguir em frente. Entretanto, uma senhora que trabalhava naquela casa, ficou com a tutela de Érica e a sua cunhada convidou a jovem para conhecer o trabalho da Universal. “No início não queria ir, mas, ao frequentar as reuniões, recebi a orientação do pastor para perdoar o meu agressor. Relutei, pois ele tinha acabado com a minha vida, mas vi que aquela era a única saída”, explica.

Foi, então, que Érica decidiu colocar uma pedra em cima do seu passado e buscar a Deus. “Conheci o Projeto Raabe e participei na palestra da Cura Interior, onde fui totalmente curada”. Hoje, formada em pedagogia com pós-graduação em psicopedagogia, Érica afirma ser uma mulher segura. “Entrei no grupo Godllywood, que me ensinou a ser uma mulher de verdade, que se ama e valoriza. Fiz o meu trabalho de conclusão de curso a respeito da minha superação”, conclui a jovem, que hoje atende e ajuda pessoas vítimas de assédio.

Erica Aparecida da Silva,Universal Brasil

Fonte: Folha de Portugal