“Cheguei ao ponto de implorar aos meus pais que se divorciassem”

CasosReais-RuteO seio familiar é o primeiro contacto que temos com as pessoas, onde nos são passados bons ou maus exemplos, responsáveis pelos nossos valores.

A formação do seu caráter, pode não depender exclusivamente do seu relacionamento familiar, mas este, é sem dúvidas o mais importante.

As atitudes corretas e incorretas, são aquelas que chamam mais a atenção às crianças, que observam e repetem os seus comportamentos.
No caso de Rute, a situação não era diferente.

“Quando era mais nova, haviam muitas agressões e discussões entre os meus pais, ao ponto de implorar que os mesmos se divorciassem.

Mediante esta situação, que fazia de mim e dos meus irmãos, crianças tristes e revoltadas, acabámos por ser entregues aos nossos avós maternos.

Apesar de terem sido verdadeiros pais, e de durante muitos anos pensar que os meus pais não me faziam falta, acumulei uma grande mágoa e ressentimento dentro de mim.

Esta mágoa refletiu-se logo desde a escola primária, onde resolvia todos os meus problemas com agressividade. No fundo, eu queria que o mundo fosse justo e pensei que aquelas atitudes eram as mais corretas.

Era orgulhosa, e não aceitava a opinião dos outros, pensava que tinha sempre razão. Pelos exemplos dos meus pais, passei a não acreditar na realização sentimental e nunca me entregava a cem por cento num relacionamento”, conta Rute.

A solução

Mesmo sem acreditar no amor, Rute acabou por se envolver, desta vez, com sinceridade e a cem por cento num relacionamento.

“Comecei a namorar com o meu marido, e pela primeira vez entreguei-me por completo, e como sempre, acabei por me magoar, e ficámos afastados durante vários meses.

Ao reatar o relacionamento, pensei que tudo iria mudar, mas as discussões eram constantes. Tínhamos uma filha, e não queria que ela passasse pelo mesmo, que já havia passado.

Até ao dia em que aceitámos o convite da minha avó para conhecer o Centro de Ajuda, e tudo começou a mudar. Passámos a frequentar as reuniões, aprendemos a lidar com as nossas diferenças e a termos mais paciência um para com o outro.

Decidi aproximar-me dos meus pais, perdoei-os, e hoje estou bem comigo mesma. Tenho quatro filhos, casei-me oficialmente, tenho paz e alegria!”, conclui.

Rute, CdA Quinta do Conde (Av. Cova dos Vidros, nº49)