Arriscar tudo

Dora Bela Santos, de Évora, viveu assim durante muitos anos da sua vida.
Hoje, ao lado do seu marido, relembra a fase que quase a levou ao desespero de acabar com a própria vida. Antes… “Eu era uma pessoa muito medrosa perante muitas coisas da vida; era revoltada com as pessoas e com o Mundo, em geral; e era extremamente nervosa”. Recordo-me de que as guerras e o comportamento do Mundo faziam-me ficar revoltada, não contra a situação, mas contra as próprias pessoas.

Chegava a sentir desprezo pelos que me rodeavam e isso fazia com que tivesse dificuldade em fazer amigos. Para além disso, não gostava de conviver e era muito negativa”. Como se não bastasse, para além de Dora não se sentir bem consigo mesma, a sua família também atravessava uma fase difícil. Afinal, a paz na família é a base para fortalecer qualquer pessoa e uma família destruída facilmente cria pessoas frágeis e sentimentalmente perturbadas, tal como era o caso de Dora.
“Não havia união na minha família, a minha mãe e a minha irmã não se falavam; a minha mãe era muito difícil e o meu pai também era extremamente nervoso, tanto que teve que ser operado ao coração. Pensei, algumas vezes, em suicidar-me, pois, queria que o Mundo acabasse e que acabasse com todo o sofrimento”.

Como consequência de todo este desequilíbrio, Dora também não conseguia ser bem-sucedida profissionalmente, “enterrava-me muito nos estudos, mas nunca tive a visão de ter um negócio próprio; nem queria ouvir falar desse assunto, pois, tinha medo e achava que não era para mim”, confessa. Depois…. No entanto, como diz o ditado, “não há mal que nunca acabe, nem bem que sempre dure”, e depois de entrar para a Igreja Universal do Reino de Deus, Dora confessa que a sua vida mudou. Ouviu, então, falar na Fogueira Santa de Israel, “já tinha participado, mas nunca tinha feito o sacrifício, pois, ficava de pé atrás. Mas, mais tarde, acabámos por fazer, sem medo e a sério. Logo, a partir daí, a primeira coisa que Deus fez foi abrir a minha visão”.

De mãos dadas com o seu marido Paulo, fizeram o seu propósito e, logo a seguir, decidiram arriscar num negócio. O seu marido, apesar de confessar que o negócio ainda está a dar os primeiros passos, transmite, em conversa, uma grande confiança no futuro. “Comecei no final de 2008 e esta é uma empresa pensada. Na altura, havia a procura dos meus alunos por estes produtos electrónicos e, então, pensei em fazer para vender. Há uns anos, nem pensava nisto, mas sim em fazer uma carreira mais académica. Foi um começo do zero!”. Hoje em dia, Dora mostra-se mais confiante e explica que “foi uma oportunidade, pois, lançámo-nos num mundo que não conhecíamos e começámos no início da crise. O melhor de tudo é que não recorremos a empréstimos, foi tudo com as nossas poupanças”. Para o casal, a participação na Fogueira Santa foi mais do que proveitosa, até porque, tal como explica Paulo, “é uma lição para as pessoas não ficarem apegadas às coisas materiais, porque ajuda-nos a investir na parte, não só espiritual, mas também na física, na parte financeira; enfim, ajuda-nos a abrir a nossa visão”.

Por fim, Dora confessou: “hoje sou uma pessoa transformada, tenho amor pelas pessoas e compreendo que muitas precisam que levemos Deus às suas vidas para haver uma mudança. Não tenho mais medo de estar e de falar com as pessoas; a minha mãe e a minha irmã já se falam; e o meu pai também está muito melhor”.

DORA E PAULO SANTOS – AVEIRO