Crescer à força

A minha vida antes de chegar ao CdAE era muito difícil, pois, nasci numa família muito pobre, com muitos irmãos e vivíamos sem condições nenhumas.

Era a mais nova de todos e via com mais sofrimento a decadência nas nossas vidas.E a única certeza que tinha era que tinha que sair daquele sofrimento!

Uma das primeiras metas que estabeleci foi que no dia em que algum rapaz me quisesse, casaria”.

O CASAMENTO PRECOCE

“E foi assim que aconteceu! Aos 15 anos, comecei a namorar e, aos 16, já estava casada. No entanto, ao querer fugir do sofrimento que já conhecia, acabei por me meter num ainda maior. Depois de casarmos, não tínhamos onde morar e começámos, por isso, a ocupar um quarto em casa dos meus sogros.

Mais tarde, fomos viver com a minha mãe, acabando por partilhar, depois, uma casa com o meu cunhado. Ficávamos numa pequena divisão, ainda mais pequena do que a que tínhamos em casa da minha mãe e na dos meus sogros, mas nós só queríamos tentar ultrapassar os problemas de alguma forma”.

A FALTA DE MATURIDADE

“Eu era uma criança sem sabedoria nenhuma para resolver problemas e andei a saltar de um lado para o outro, até ao dia em que o meu cunhado nos ajudou. Estávamos numa casa com uma divisão apenas e tínhamos que colocar cobertores por trás das portas para termos privacidade. Vivemos aí cerca de dois anos e, nessa altura, já tínhamos um filho.

Partilhávamos a mesma divisão com o meu cunhado e os seus dois filhos, portanto, éramos cinco. Entretanto, ele decidiu ir-se embora, porque era solteiro e queria viver a vida dele, mas nós acabámos por ficar mais
um ano, até que cheguei ao meu limite”.

VIVER PARA LUTAR

“Um dia, em conversa com o meu marido, perguntei-lhe porque é que ele, sendo funcionário público, não podia tentar pedir uma casa à câmara. Na altura, ele não fez nada para isso acontecer e, então, eu decidi fazer isso por mim. Passei mais de dois anos à procura de meios na câmara para arranjar casa, até que consegui. Contudo, os problemas continuaram a surgir e, para agravar ainda mais a situação, o meu marido começou a beber.

As dívidas começaram a aumentar, mas nunca desisti! Vivemos nesse apartamento durante 17 anos, mas aquele não era o meu sonho e estava farta de problemas. Certo dia, estava a ver televisão, vi e ouvi um testemunho da Igreja e pensei: ‘se Deus faz coisas boas na vida dos outros, porque não fará na minha?’”.

AS PRIMEIRAS GRANDES MUDANÇAS

“Foi nessa altura que entrei para o CdAE e, aí sim, comecei a ver mudanças a sério nas nossas vidas. Afinal, foram quase 20 anos de sofrimento e de sobrevivência. Na minha primeira Fogueira Santa, pedi pelo meu marido, para que Deus o curasse da dependência do álcool. Pouco tempo depois, houve uma transformação no nosso casamento e hoje somos um casal feliz.

O segundo propósito foi para conseguirmos ter um carro e hoje temos mais do que um carro, todos lá em casa temos um. Por último, pedi por uma casa só nossa e assim foi, pois, hoje temos uma moradia para a nossa família, com espaço e condições decentes e dignas. Actualmente, sinto que somos um casal abençoado e com dois filhos adultos.

Tudo o que sacrificámos foi por nós, com a nossa vontade, e acredito que Deus realiza os nossos sonhos, desde que sejam espontâneos e com fé”.

PAULA E OSVALDO QUEIROZ – AVEIRO