Era muito triste

Patrícia Silva sofreu maus-tratos durante 14 anos. Com uma vida cheia de problemas, perdeu a vontade de sonhar e deixou de acreditar que um dia tudo pudesse mudar

Cheguei ao Centro de Ajuda completamente destruída. Tive muitos problemas e, por causa do sofrimento, cheguei a pensar em matar-me. No meu casamento, sofri bastantes maus-tratos, tanto físicos como psicológicos, e isso aconteceu durante 14 anos. Logo no primeiro dia de casada, discuti com o meu marido e não tive lua de mel. No primeiro mês de casamento, ele arranjou uma amante. Para além disso, ele também estava sempre desempregado, nunca tínhamos dinheiro para pagar as contas e estávamos cheios de dívidas. Com tudo isto, eu era uma pessoa muito triste, achava que era feia e não tinha valor nenhum. Não deixei de acreditar em Deus, mas perguntava-Lhe muitas vezes porque é que me tinha deixado vir ao mundo se era para sofrer. Amaldiçoei muitas vezes o dia em que nasci”.

O início da transformação
“Quando entrei no Centro de Ajuda já não tinha sonhos, nem esperança que a minha vida fosse mudar, enfim, não tinha nada! Era lutadora, mas tudo dava errado. Cheguei até a fazer promessas para ver se as coisas melhoravam.

Passava na igreja em Matosinhos, entrava e rezava. Os anos passaram-se e não vi resultados nenhuns. Estou na Igreja há seis anos, mas levei apenas uns meses para me libertar dos problemas espirituais.

A vida financeira começou a melhorar, com as dívidas a serem pagas e o meu marido a fixar-se nos trabalhos. Depois, começou a transformação na família, através do meu empenho e da minha entrega. Antes não podia falar que ele batia-me logo e, depois, começou a ficar mais calmo. As coisas começaram a mudar gradualmente. Temos que ter noção de uma coisa, uma vida que foi destruída durante anos, não vai ser transformada de um dia para o outro. Temos que ter consciência disso e não estar à espera de magia. Fui começando a ver a diferença na minha vida dia a dia, semana a semana, mês a mês”.

Ser a cabeça e não a cauda
“Comecei a ouvir falar do dízimo e determinei ser fiel dizimista. Houve uma palavra que entrou logo na minha mente, ‘Deus quer que nós sejamos cabeça e não cauda’, e, então, surgiu o pensamento de trabalhar por minha conta. Comecei a lutar por isso, fui às Conquistas Financeiras do Centro de Ajuda e determinei que queria ser cabeça e não cauda. Acho que as pessoas deveriam trocar o tempo que perdem a ver o telejornal, onde só se fala da crise, e começar a ir ao Centro de Ajuda, às segundas-feiras. É uma hora a ouvir palavras positivas e de ânimo. E para quem quer conquuistar e ir em frente, enfrentando a crise, é o melhor que pode fazer. Sai-se de lá com força de vontade e ideias. Abri a primeira loja há quatro anos e esta vai fazer um ano. Também comprei uma carrinha para fazer entregas e não estou parada, pois, já tenho em vista mais uma loja que talvez venha a comprar!”

PATRÍCIA SILVA – MATOSINHOS