Eu era mendigo

Liberto dos vícios e traumas, ele começou do zero uma nova jornada

O que leva uma pessoa a morar na rua? São tantos os questionamentos que, muitas vezes, fica impossível chegar a uma conclusão. Basta andar pelos centros das cidades para deparar-se com inúmeros moradores de rua disputando espaço debaixo de pontes, viadutos e praças públicas. Muitos deles, advogados, pais de família, ex-empresários, enfim, quantos não fazem parte dessa realidade?

De acordo com pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, entre 2009 e 2011, a população de rua, somente no estado de São Paulo, aumentou 6%, passando de 13.666 para 14.478 pessoas. Dessas, apenas 7.713 usam os abrigos oferecidos pelo Governo. As outras 6.765 preferem dormir, comer e se banhar na ruas, praças e debaixo de viadutos.

Sem perspectivas, caminham de um lado para outro pedindo esmolas: uns para alimentar-se e outros para sustentar os próprios vícios. Essas pessoas são rejeitadas pela sociedade, abandonadas pelos familiares, mas nunca invisíveis aos olhos de Deus. Existe sim uma saída, uma luz no fim do túnel, basta crer e acreditar n’Aquele que pode transformar a vida de qualquer indivíduo.

Marginalidade e drogas
A vida de Gérson Kotovics, de 30 anos, é a prova de que Deus restaura. Sua história caberia facilmente em qualquer livro de ficção, não fosse a realidade dela. Desde pequeno, teve que lidar com a separação dos pais alcoólatras. Acabou indo morar com os avós, que faleceram quando ele tinha apenas 14 anos de idade. Dali em diante, passou por casa de parentes e teve de submeter-se a imposições que não aceitava. “Acabei indo morar na rua, porque não aceitavam que eu estudasse, pois diziam que o meu futuro seria igual ao deles, que eu nunca seria nada. Mas eu acreditava no contrário, queria ser advogado”, conta.

Sua passagem na rua durou 1 ano, o suficiente para conhecer a marginalidade e as drogas. Mas foi aí que uma tia, acreditando no seu potencial, o convidou para morar no porão da casa dela.

Já debaixo de um teto, porém ainda sem nenhuma estrutura, Kotovics acreditava que o matrimônio melhoraria a sua vida, mas não foi bem assim. “Tive um casamento de sofrimento, que culminou na separação. Nada que eu fazia dava certo. Cheguei a vender a fiação elétrica da casa onde morava para comprar comida, sem contar que já não pagava o aluguel e a luz havia 17 meses. Tentei alguns negócios que não deram certo, todos faliram. Cheguei a pensar que não teria jeito, que meu destino era mesmo não ser ninguém”, lembra.

Conversão
Gerson chegou à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) passando por dificuldades e até mesmo fome, tanto que, para não ficar sem se alimentar, recolhia restos de alimentos em um centro de abastecimento. Totalmente perturbado, com síndrome do pânico e até medo do escuro, passou a frequentar as reuniões de libertação e viu sua vida começar a ganhar uma nova etapa.

“Conheci a IURD por meio de um amigo. Fui à igreja e ouvi o que tanto procurava: que a minha vida podia mudar. Então, peguei firme e fui aprendendo a usar a minha fé”, afirma.

Liberto dos vícios e traumas, iniciou a sua difícil caminhada, mas com confiança. Um dia, Kotovics teve a ideia de separar as melhores frutas que recolhia no mercadão para vendê-las, e viu que dava certo.

Sacrifício
Até que veio a Fogueira Santa de Israel, campanha de fé da IURD, que foi decisiva na vida dele. “Quando entendi que era a oportunidade da mudança de vida, da realização do impossível, que eu tanto queria, comecei a pôr o meu melhor no altar, o meu tudo, e aí sim passei a ver a realização dos meus sonhos.”

Por meio dessa fé e do sacrifício, as bênçãos tornaram-se cada vez mais recorrentes na vida de Kotovics. Há 10 anos na IURD, ele está casado e tem um filho de 2 meses. Tornou-se um empresário bem-sucedido na área de revisão de contratos, tem o próprio escritório, com sede no estado do Paranáe mais oito filiais espalhadas pelo País. E mesmo não sendo advogado, tem profissionais da área trabalhando para ele. “Nosso objetivo é ter empresas no Brasil inteiro”, revela.

Fora o ramo de advocacia, o empresário também adquiriu uma rede de concessionárias de veículos, com mais de 300 carros. E não para por aí. Atualmente, ele dá início a outro empreendimento, voltado para transportes com caminhões. Nessa fé, também conquistou casas, chácaras, terrenos e carros.

“A Fogueira Santa representa uma porta que Deus me mostrou e abriu para que eu possa realizar aquilo que somente o sacrifício pode fazer: o impossível. Depois que aprendi a sacrificar, não vejo mais dificuldades como obstáculos, pois sei que venço a todas, e até o impossível de ser vencido, por meio do meu tudo no altar.”