Filho depressivo

“Eu tinha uma vida boa, mas, a partir de uma dada altura, esta desmoronou. O meu casamento acabou, perdi tudo, mas, suportei. Até que o meu filho, com 15 anos, apanhou uma depressão, e eu achava que se devia a tudo o que tinha acontecido, às perdas sucessivas. A conselho da psicóloga da escola, levei-o ao psiquiatra para fazer um tratamento à depressão. Ele fez o tratamento, começando a tomar 19 comprimidos por dia, mas não resolveu o problema. Aí já não suportei, pois, ele era a única coisa que eu tinha!

Foi, então, que vim ao CdAE, onde ganhei uma nova força, porque já não tinha forças para lutar, nem sequer para chorar. Participei nas correntes de oração, fiz propósitos, mas o meu filho, em vez de melhorar, piorou. Contudo, eu tinha a certeza de que Deus ia curá-lo e continuei a lutar, mesmo ouvindo palavras negativas fora da Igreja. Durante dois anos, o meu filho não disse uma única palavra, nem reagia a nada.

E a partir de uma determinada altura, perdeu a sanidade mental, começando a falar sozinho e a ter atitudes nada normais – corria sozinho na rua e, no verão, vestia muitos agasalhos, quer dizer, fazia tudo ao contrário daquilo que era normal.

Inclusive, não sabia quem eu era, nem a nossa morada ou número de telefone. Nessa fase, ele atirou-se da varanda do 3º andar. E as pessoas que me conheciam diziam que o melhor seria ele ter morrido da queda, porque eu não tinha vida e os próprios médicos não sabiam o que se estava a passar com ele, uma vez que os tratamentos não resultavam. Mas foi aí que tive consciência do que estava a acontecer, pois, a minha luta era espiritual, não tinha nada a ver com médicos ou medicamentos. Sei que, depois da queda, ele ficou perfeitamente normal, não tinha mais aqueles comportamentos de louco, lembrava-se de tudo e estava consciente. Para ele era muito doloroso ver-se ao espelho, pois parecia um monstro, já que o tamanho da cabeça ultrapassava os ombros e levou mais de um ano a desinchar.

Achava eu que ele ia recuperar a partir dali, só que, uns três ou quatro meses depois, ele começou, outra vez, a ter comportamentos estranhos, por mais dois anos. Sei que cheguei a um ponto em que não aguentava mais e foi, então, que decidi participar na Fogueira Santa de Israel, colocando toda a minha vida no Altar, ou seja, todo o meu vencimento. Fiquei 10 anos sem ver um sorriso do meu filho, mas, hoje, ele é uma bênção. Está na Igreja, firme na presença de Deus e completamente curado, liberto. Somos muito amigos e ele nunca mais foi agressivo comigo. Fez há pouco tempo um TAC e não acusou nenhuma sequela. O sacrifício perfeito trouxe o resultado perfeito!”

ELISA RODRIGUES