Luísa Gouveia

IMG_6749Luísa não se sentia bem em casa, junto do seu marido e da sua família. Procurava conforto na rua, com outras pessoas, e perdeu a vontade de viver.

Apesar de ter marido e filhos em casa, andava durante a noite à procura de carinho e de qualquer pessoa que fosse, para conversar, para me ouvir. Em casa não fazia nada disso e sentia que no seio familiar não tinha a devida atenção. A minha vida estava completamente virada do avesso.

Em casa só haviam discussões, eu e o meu marido nunca estávamos de acordo um com o outro e, muitas vezes, existiam mesmo agressões físicas. Éramos muito ciumentos os dois e os filhos eram motivo para discussões também.

Entretanto descobri que o meu marido tinha outra pessoa. Apesar de eu própria ter outras pessoas, julgava que o meu marido iria estar sempre ali seguro. Por isso, quando descobri que ele tinha outra, perdi a vontade de viver. Nessa altura só tinha vontade de acabar com a minha vida. Não pensava nos meus filhos sequer…

Não queria estar com ninguém, não me sentia bem ao lado de ninguém, não queria sair para lado nenhum.
Saía de casa à noite e andava por aí, nas ruas, sozinha pela madrugada fora… Uma situação que durou mais de um ano. Não queria ver o meu marido à frente, nem os meus filhos e só queria sair de casa.

Não tinha nada, nem ninguém e os meus pensamentos eram só de suicídio. Pensava que ninguém precisava de mim, nem os meus filhos, nem o meu marido e nem ninguém da minha família. Nesse momento pensei mesmo em arranjar uma forma de pôr termo à minha vida… Mas durante várias noites havia algo que me puxava sempre de volta a casa. Nessa altura agarrei-me a Deus”, conta Luísa.

O processo de mudança
“A minha irmã, que era frequentadora do Centro de Ajuda, levou-me com ela até à Igreja. Ali, falei com o pastor e iniciei as correntes de libertação, um processo lento e que não foi fácil. Tinha consciência daquilo que estava errado em mim e sabia que não queria continuar assim. Aos poucos comecei a ver mudanças em mim e na minha vida…

Deixei de ser aquela pessoa má, arrogante e bruta que chegava a casa e só queria discutir, e entreguei-me a Deus, para que Ele fizesse de mim uma pessoa melhor.

Hoje sou uma pessoa muito mais calma e paciente, deixei de procurar outras pessoas e só sinto vontade de estar com o meu marido. A nossa relação mudou completamente!”, sublinha.

A Fogueira Santa
“A primeira vez que participei na Fogueira Santa não o fiz corretamente, fi-lo à minha maneira e, obviamente, nada daquilo que eu pedi vi ser concretizado. Nessa Fogueira Santa queria tudo, mas não fiz nada. Senti-me muito mal com isso, tinha vergonha de mim mesma, e estive algumas semanas sem ir à Igreja, inclusivamente. Depois voltei e dei o meu melhor!

Na Fogueira Santa seguinte dei o meu tudo, fiz a minha parte, o meu Sacrifício, e Deus agiu na minha vida, abençoou-me e mudou-me completamente”, garante.

Luísa Gouveia, CdA Setúbal 1 (Av. do Alentejo, nº 30 – 4 Caminhos)