Não temo nada!

A minha vida era muito triste e cheia de sofrimento, pois, era uma pessoa com vários problemas de saúde, desde enxaquecas a problemas de coluna e também a nível intestinal e de fígado. Desde os meus 15 anos que sofria da coluna e de enxaquecas, tendo sido muitos anos neste sofrimento. E, aos 32 anos, vi-me obrigada a reformar-me por motivo de invalidez. Todos esses problemas de saúde refletiram-se no meu casamento, pois, passava a vida triste e revoltada, ou porque não conseguíamos ter uma casa própria ou porque não tinha forças para nada, por causa da minha saúde fraca. Mesmo assim, ia lutando com o que podia e continuava a cozinhar para fora. Fazia qualquer coisa para ganhar dinheiro e não ter depender de alguém, já que sempre tivera um espírito de querer vencer. Durante algum tempo, a minha família, mais precisamente a minha mãe e a minha irmã, procurou vários meios para me poder ajudar a resolver os problemas de saúde. Sendo as enxaquecas o problema mais preocupante porque me deixavam de cama durante vários dias. E foi por intermédio das duas, mãe e irmã, que cheguei à IURD, tendo a minha vida começado a mudar partir desse dia. Lembro-me de que, nessa altura, tinha chegado a um estado tão grave que tinha de me apoiar em tudo para conseguir andar”.

O INÍCIO DA ESPERANÇA
“Comecei por fazer a corrente pela saúde e, depois, virei-me para os propósitos pela transformação da família, já que achava que só assim iria conseguir mudar um pouco o meu marido, que era uma pessoa muito dura e fria comigo. A nossa relação estava sempre a piorar, pois, ele não compreendia porque é que eu andava sempre mal. Mas, para mim, muitas vezes, os meus problemas eram consequência da nossa relação instável e da forma rígida como ele me tratava. E, nos primeiros tempos, o meu marido não aceitou a ideia de eu estar na Igreja, isto até que decidi ir a Israel pedir por uma mudança na sua atitude. Sabia que só iria conseguir ultrapassar os problemas com ele ao meu lado e com o seu apoio. E foi no Monte Carmelo que implorei, clamei e pedi que o fogo, que desceu na época de Elias, descesse sobre o coração do meu marido. Nesse dia, à noite, ele telefonou-me a chorar arrependido das coisas que me tinha dito e feito. A resposta foi imediata e, hoje, ele está ao meu lado! Também experienciei a minha mudança interior e física, já que deixei os calmantes e as enxaquecas desapareceram. Comecei, também, a trabalhar mais e, hoje, já tenho a minha própria casa e mudei de carro três vezes”.

A DOENÇA INESPERADA
“Na última Fogueira Santa, sentia-me em baixo e comecei a achar estranho estar sempre sem forças, pois, ao final do dia só queria descansar. Até que, um dia, vi que tinha sangue nas fezes e fui ao médico para fazer uma colonoscopia. Nesse momento, foi-me detetado um tumor, que impediu que fizesse o exame em condições. E, para o médico, a única solução era eu ser operada de urgência. Fiquei muito preocupada e, nessa altura, só pensava que se Deus era comigo, Ele não me poderia abandonar naquele momento. Então, o médico da família mandou-me, imediatamente, para o Instituto Português de Oncologia de Lisboa, onde tive que fazer uma ressonância e o tratamento completo, porque já era um cancro muito avançado e chegaram-me mesmo a dizer que tinha pouco tempo de vida. Na altura, não estava com medo, pois sabia que Deus estava comigo! Aí disseram-me que teria que fazer quimioterapia e que havia o risco de não reagir bem. Foram momentos muito difíceis! Mas sabia que Deus não me ia deixar mal e estava pronta para tudo. Contudo, não aceitava que o meu cabelo caísse, pois, queria continuar a ter um aspeto saudável e assim foi! Depois da operação, tive que fazer radioterapia, quimioterapia e, a meio dos tratamentos, comecei a sentir que já podia parar. E, no total de 12 sessões, apenas tive que fazer 9! A partir daí, tinha consultas todos os meses para ver o progresso e se a minha doença tinha desaparecido. Há 19 anos que estou na Igreja, mas foi nessa Fogueira Santa que coloquei o meu coração nas mãos de Deus e disse-lhe que confiava n’Ele. Lembro-me de que cheguei a ter apenas 10% de probabilidades de sobreviver e de que até fiz parte de uma lista do IPO, dos doentes com as menores probabilidades de sobreviver, mas venci a doença. Venci porque estava em comunhão com Deus e tinha a certeza de que Ele estava comigo. Com Ele, não temos que temer nada!”.

Olinda Ramalhãdo – Matosinhos