“O meu filho teria que viver apenas com um pulmão”

Como sempre o fazia, Erika Nunes deixou o seu filho, Elias, hoje com 5 anos, na creche e foi trabalhar.

Mais tarde, a professora ligou para ela o ir buscar, pois ele estava com febre alta, com risco de sofrer umaconvulsão. Ela foi buscá-lo e foi direto para o hospital. Os médicos, após vários exames, detetaram uma grande quantidade de água nos pulmões.
Ele foi internado de imediato, administraram vários medicamentos, mas não correspondia. Após quinze dias ele piorou, tinha muitas dificuldades para respirar e foi encaminhado para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Foi colocado um dreno, para retirar o líquido que estava acumulado nos pulmões. “Os médicos chegaram a retirar 1,5 litro de líquido do pulmão dele, que tinha um odor muito forte”, conta.

Mesmo com o dreno, ele ainda tinha dificuldade de respirar. Um certo dia, a sua taxa de oxigénio ficou tão baixa, que quase o entubaram. “A todo o momento vinha uma enfermeira aplicar a medicação, mas não tinha como encontrar as veias do braço. O médico fez um procedimento e colocou um cateter no coração para administrar os remédios por lá, não aguentava mais ver o meu filho daquela maneira”, relata.

Elias teve uma paragem respiratória, como agravamento do seu quadro os médicos disseram à mãe que ele teria que passar por uma cirurgia. O procedimento iria retirar um dos pulmões que já não funcionava. “Os médicos disseram-me que ele teria que viver apenas com um pulmão e não seria uma criança normal. Ele teria que ter uma vida limitada, não poderia correr, nadar, nada que requeresse dele esforço”, conta.
Erika estava assustada, mas as notícias pioraram quando os especialistas explicaram que nesse procedimento a criança perderia entre 3 a 4 costelas, para eles tirarem o órgão. Isso iria comprometer o equilíbrio do corpo dele, visto que o seu tronco iria ficar torto.

NÃO MENOS QUE PERFEITO

“Recebi a notícia que deveria preparar-me para o pior, pois era grande a chance do meu filho sair de lá e ir direto para o caixão. Depois de ouvir isso, fui para a casa de banho e orei a Deus dizendo que não aceitava aquela situação, pois Ele tinha-lhe dado um filho perfeito e assim ele iria permanecer”, diz. Erika e a sua família já frequentavam a Universal, mas, diante da situação que se encontravam passaram a fazer propósitos pelo pequeno e a participar das reuniões de cura.
A cirurgia foi marcada e ele foi transferido para um hospital com mais recursos para fazer o procedimento. Foi submetido a novos exames, que constataram que o pulmão já não estava a funcionar. “Estávamos a aguardar a cirurgia, mas acabei por adormecer. Quando os médicos chegaram ao quarto, o meu filho estava sentado na cama e tinha saído o cateter e o dreno. Pegaram no meu filho e foram de imediato fazer exames com o receio dele ter apanhado alguma infecção, mas eu estava tranquila, confiante que Deus estava à frente de tudo”, lembra.

SURPRESA ABSOLUTA

Quando os especialistas regressaram estavam surpresos e questionavam-se se o Elias era de facto a criança com todos aqueles problemas, pois os exames não detetaram a água no pulmão e o órgão estava a funcionar normalmente. Segundo a mãe, os médicos diziam que era impossível isso acontecer, visto que nem com uma cirurgia o pulmão dele ficaria a funcionar tão bem como estava. “O médico disse-me que não sabia o que tinha acontecido, mas ele estava curado, eu virei-me para ele e respondi que tinha sido Deus a fazer aquilo”, relata.

Não tendo mais o que fazer, a equipa médica deu alta ao Elias, mas, ainda assim, requisitaram um acompanhamento. Todavia, em poucas semanas o especialista liberou-o porque ele estava bem e não havia necessidade de medicamentos, nem de tratamento, já que ele estava saudável. Hoje, Elias é uma criança com uma rotina normal, faz todas as atividades sem limitação alguma e a sua família teve a fé fortalecida, através do milagre que Deus fez.

Michele Francisco 
Fonte: Folha de Portugal