Superação

Os problemas com a minha família começaram na infância, o meu pai era drogado e, consequentemente todos nós, os sete filhos, também nos tornámos. Com o vício chegou também a miséria. O meu pai tinha uma propriedade que vendeu por causa da droga e foi
assim que tivemos de ir viver para uma favela. Surgiram, depois, os problemas espirituais e a minha mãe ao tentar resolver o nosso problema meteu-se na bruxaria e no espiritismo. E eu quando vi o meu pai a agir daquela forma, senti uma revolta muito grande, pois, ele drogava-se à nossa frente.

Com o tempo, eu e os meus seis irmãos também nos metemos na droga, chegando mesmo a reunirmo-nos na mesa, onde fazíamos as refeições, para nos drogarmos juntos. Todos os dias, o meu pai agredia a minha mãe e eu presenciava sempre tudo, tentando separá-los. Acabei por ficar com raiva da minha mãe, porque via o meu pai a agredi-la e questionava-me porque é que ela não o deixava. Comecei a vê-lo como um inimigo e a ter ódio dele, isto até entrar no CdAE. Inclusive, tive um irmão que foi assassinado no tráfico de droga, por causa de dívidas.

Mas, chegou a uma altura em que saí de casa e fui viver para a rua. Uma semana depois, fui morar com uma tia, irmã do meu pai, que estava metida no espiritismo e comecei a ajudá-la, fazendo-lhe favores, mas nunca deixando a droga. Só que, um dia, fi quei desesperado e roubei a minha própria tia, que depois me denunciou e acabei por ficar preso, um mês.”

A NOTÍCIA QUE ACABOU COM A ESPERANÇA

“O momento mais difícil da minha vida foi quando descobri que tinha Sida. Comecei a emagrecer, a ter febre, o cabelo começou-me a cair e as feridas a aparecer. E quando fui ao hospital fazer o teste, deu positivo. Fiz todos os tratamentos, mas a doença já estava muito avançada e os médicos não podiam fazer mais nada. Entretanto, a minha tia perdoou-me, mas continuei nas drogas e a ajudá-la no seu trabalho, sempre com o mesmo ódio pelo meu pai. Na altura, já nem falava com a minha mãe, mesmo sabendo do estado em que estava a minha família. As minhas quatro irmãs tornaram-se prostitutas. Um dia, decidi que não aguentava mais! Passei o dia a consumir drogas e decidi atravessar-me à frente de um camião, mas, no momento em que fui para fazê-lo, alguém me segurou e, de repente, estava dentro
da Igreja Universal.”

O MOMENTO DE VIRAGEM

“Tal como muitas pessoas, eu também tinha preconceitos contra a IURD, pois, pensava que me iam tirar tudo, mas depois comecei a pensar: ‘sou doente, não tenho família, não tenho dinheiro e não tenho bens nenhuns.

Então, o que é que me podem tirar?’. O pastor, quando me viu, disse: ‘meu filho, ou você crê no Deus de que lhe falo e vive, ou, então, não crê e morre’. Eu respondi lhe que acreditava e saí de lá com a certeza de que a minha vida ia mudar. Quando, em dezembro, surgiu a Fogueira Santa, entendi tudo o que tinha a fazer. Lembro-me de que, todos os dias, de casa da minha tia até à Igreja, durante 40 minutos, recolhia latas do chão e vendia tudo, para poder fazer o meu sacrifício.

Um mês depois de entregar o meu sacrifício, comecei a ganhar peso e as feridas começaram a secar. Voltei ao hospital e submeti-me ao exame, que deu negativo. Mas, só consegui resolver a minha situação com o meu pai quando me entreguei totalmente a Deus.
Hoje, somos amigos e levei-o à Igreja, já como auxiliar de pastor, e batizei-o nas águas” .

ROBERTO AZEVEDO