Tudo no altar

Antes de chegar ao Centro de Ajuda, era uma pessoa viciada em tabaco e haxixe. A nível de saúde estava muito debilitada, tinha dores de cabeça constantes que me provocavam muito mau-estar, bronquite asmática crónica e rinite alérgica crónica.

A nível sentimental, as coisas não estavam melhores! Vivia com o pai dos meus filhos, mas estávamos separados dentro da mesma casa, porque ele deixou de falar comigo e decidiu separar-se, sem motivo nenhum aparente.

O meu marido trabalhava por conta própria e, de repente, começou a perder tudo. Perdeu os carros, o emprego, tudo! Não me faltava nada e, de um momento para o outro, perdi tudo. No início, o meu marido trabalhava com um tio e quando decidiu começar a trabalhar por conta própria, esse tio disse que não descansava enquanto não nos visse na miséria. Foi a partir daí que começámos a perder tudo!

Tínhamos perdido tudo financeiramente e a única coisa que nos restou de bom foi a nossa relação, que depois acabou por terminar também. O pior momento dessa fase foi quando o meu atual marido tentou o suicídio por três vezes. Fiquei mesmo sem nada, cheguei a uma situação em que nem sequer um pacote de leite tinha para dar aos meus filhos”.

A Fogueira Santa
“Ninguém me pediu para fazer nenhum sacrifício, mas, no primeiro dia em que cheguei ao Centro de Ajuda, há dois anos, estavam a falar da Fogueira Santa e o pastor falou de sacrifício. O meu desespero era tão grande que não via mais saída em lado nenhum. Fora do CdA já tinha pedido ajuda, tinha procurado soluções e nunca as tinha achado, então, vi aquilo mesmo como uma oportunidade única de mudar a minha vida.

Hoje está tudo completamente diferente! Estou curada, fui liberta dos vícios e acabei por conseguir casar com o pai dos meus filhos. O meu marido recuperou o trabalho dele por conta própria e a carrinha, já tendo pessoas a trabalhar com ele e sempre trabalho. Reconquistou tudo e hoje em dia não nos falta nada!”.

O sacrifício
“Custou-me muito fazer o sacrifício porque não tinha mesmo nada. Nessa altura, vendi os meus livros da faculdade, algumas peças de ouro que tinha e gerei o sacrifício assim. Nunca pensei em vender aqueles bens para comer, mas senti que aquela era a minha última oportunidade. Fui movida pela minha fé!

O meu marido começou também, nessa altura, a frequentar o CdA e andámos os dois na rua a apanhar ferro e a vendê-lo para conseguir juntar a quantia que tínhamos estipulado dar. Colocámos tudo no altar e tivemos logo resposta!

O meu casamento, a saúde e a vida financeira, tudo está bem hoje. Valeu a pena o sacrifício e vale sempre a pena frequentar o Centro de Ajuda!”.

DARLENE MONTEIRO, LISBOA