Um investimento

“Vivia num lar destruído, o meu pai e a minha mãe eram alcoólatras e estavam sempre a discutir. Para além disso, vivíamos numa miséria profunda, inclusive cheguei a passar fome. Ia para a escola e não tinha o que comer, o que me deixava desanimada e angustiada. Apesar de andar sempre rodeada de amigos e em grupos, vivia de aparência.

Tinha um caráter violento! Até que fui convidada pela ‘Força Jovem’, o grupo de jovens do Centro de Ajuda, para começar a frequentar o Centro de Ajuda e os meus pais também o foram. Aliás, eles foram os primeiros a começar a frequentar! Mas, quando comecei a participar na ‘Força Jovem’, não significava nada para mim, porque continuava a ser bombardeada pelos pensamentos de que nunca iria ser feliz. E como não houve uma transformação imediata na vida dos meus pais, eu espelhava-me neles. Também não era bem-sucedida nos estudos, ficando sempre no quase, pois, umas vezes tirava notas negativas, outras positivas, mas sempre muito baixas. E aí vinham os pensamentos de que ‘não ia conseguir’ e ‘não posso’, até que me revoltei, pois, tinha os meus objetivos e metas para alcançar.

No fundo, era uma jovem indefinida! Até que tomei a minha decisão de fé e subi ao Altar, numa entrega total. E, quando digo total, refiro-me ao físico, ao financeiro e ao espiritual. Mesmo sem ter condições nenhumas e vindo de uma família humilde, gerei o meu sacrifício. Vendi as minhas melhores roupas, fiz gelados e vendi-os na rua. E comecei a ver uma diferença em mim e nas minhas atitudes, deixei as más companhias, tinha forças para resistir aos maus pensamentos, tirei a melhor nota da turma em português, venci o complexo do racismo e ultrapassei os traumas, o medo, a acomodação, o nervosismo, a baixa autoestima e a tristeza profunda. Foi uma mudança visível até para os meus pais, porque já lhes obedecia. Tudo mudou! Arranjei também um trabalho, no qual passei por muitas lutas, ficando até cinco meses sem receber, mas, como já sabia o segredo, subi outra vez ao Altar. Na altura, estava em avaliações no meu trabalho e a única coisa que tinha era o meu computador, a minha ferramenta de trabalho, e vendi-o. E Deus abençoou a minha vida financeira! Uma semana depois, a minha coordenadora entregou me um cheque, com o dobro do valor que deveria receber. Desde então, nada me tem faltado! Afinal, a Fogueira Santa é um investimento nos nossos sonhos”.

ROSA – Lisboa