“Via vultos e eles falavam comigo…”

Para o sofrimento não importa a idade, pois ele afeta a todos, desde um recém-nascido a um idoso. Rubina, desde cedo percebeu que a sua vida era tudo menos fácil…

Rebelde e com muita mágoa da mãe, a infelicidade de Rubina era agravada pelo facto de ver vultos. “Sentia mágoa da minha mãe porque, quando o meu irmão nasceu, ela canalizava toda a atenção para ele, mas também pelo facto de não ter sido a minha mãe a criar-me e sim a minha avó. Pelo facto de a minha mãe não me ter dado a atenção que eu necessitava, criei também dentro de mim outros sentimentos, como o ciúme e a raiva do meu irmão mais novo, chegando a bater nele.”

CONVERSAS COM “VULTOS”. “Para piorar a situação, via vultos, ouvia vozes e cheguei ao ponto de só estar no meu mundo e não me abrir com ninguém. Os vultos que via surgiam em qualquer hora ou lugar… e falavam comigo. Pensava que aquilo era normal, por isso, habituei-me. Conversávamos e, como eu era pequena, pensava que se tratava de pessoas normais. Eles mandavam-me fazer coisas e, se contasse as nossas conversas à minha mãe ou avó, eles criavam problemas na minha família, só para me castigarem. Se fosse à minha avó, eram problemas de saúde… e isto durou até eu chegar ao Centro de Ajuda da Igreja Universal.”

PERTURBADA E REBELDE. “A minha avó conta que eu comecei a ter problemas espirituais desde muito pequena, embora só tenha mesmo começado a ver vultos a partir dos sete até aos 13 anos de idade.

Na escola, era rebelde e só ia porque me obrigavam, pois não me interessava. Gostava era de criar confusão no meio dos colegas, pois achava que era a melhor. E, pelo facto de me achar a melhor naquela época, sofri de bullying. Aquilo criou uma revolta dentro de mim e passei a bater e a vingar-me, continuando assim até aos meus 13 anos.”

FINALMENTE, LIVRE! “A minha avó, que já frequentava o CdA, um dia convidou-me para eu a acompanhar, pois já via algumas mudanças nela própria. Ainda duvidei no início, pois achava que se lá fora a minha vida não mudava, como é que na igreja isso ia acontecer? Mas, pela insistência dela, acabei por decidir ir.

Comecei a frequentar as reuniões de libertação, fui ouvindo as mensagens que o pastor transmitia e, assim, fui-me libertando. Manifestava de forma intensa, muitas vezes chegando a ficar inconsciente. Da última vez que passei mal, ouvia tudo, mas não tinha controlo sobre o meu corpo. A minha libertação durou um ano, aproximadamente.”

A CURA. “A nível de saúde, sofri uma inflamação numa das partes do coração, tendo o médico confirmado que teria de tomar medicação para o resto da vida. Na altura, revoltei-me contra essa situação, fiz a corrente da saúde, às terças-feiras, e foi aí que fui curada. Hoje, estou liberta do mal espiritual que tinha e não tenho mais problemas de saúde. Hoje em dia, a minha mãe é o meu tudo, a minha melhor amiga. Na escola, sou outra pessoa, mais estudiosa, já não sou nervosa ou stressada. Não vejo mais vultos, nem ouço vozes e com o meu irmão está tudo bem. As coisas mudaram e ainda continuo a ver essa mudança na minha vida!”

Rubina Pereira,CdA Ribeira Brava

Fonte: Folha de Portugal