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Um simples exemplo seu despertou a minha fé

ExemploDespertouMinhaFeQuerida Cris,

Uma grande mudança começou em mim a partir do momento em que observei o seu carinho pela dona Ester. Sempre percebi isso, mas houve um dia em que a maneira como você se referiu a ela falou muito forte comigo. Foi uma cena corriqueira, mas aquilo foi suficiente para me fazer refletir sobre a minha relação com a minha mãe. Um simples exemplo seu despertou a minha fé e me fez arrancar um trauma que eu nem sabia que possuía…
Fiz uma reflexão profunda e vi que havia coisas mal resolvidas entre nós duas. Sempre fui uma boa filha, apesar de na minha adolescência eu ser um pouco revoltada com ela. Eu não a desrespeitava, mas a ignorava, como se ela não fosse tão importante para mim. Ela percebia isso e ficava muito triste, até porque o meu pai, que sempre aprontava, tinha todo o meu carinho e ela não.

Uma vez ela me pegou pelo braço e me sacudiu perguntando por que eu a tratava daquele jeito, e eu não soube responder. Os anos se passaram e essa falta de resposta continuou dentro de mim. Eu me perguntava sempre o motivo de eu a ignorar, mas não conseguia saber. Com o tempo me casei, mudei de estado, e percebi que, embora eu estivesse na presença de Deus e O servisse, ainda havia uma lacuna entre mim e ela. Então, em uma reunião, quando vi o seu cuidado com sua mãe, o Espírito Santo falou comigo. Engraçado que não foi a Palavra dada que falou comigo, mas um gesto que vi que fez despertar a minha fé. Naquele exato momento percebi que não tratava a minha mãe daquele jeito e isso começou a me incomodar sobremaneira. Saí da reunião, e a partir daquele dia comecei a buscar em Deus a resposta para aquela pergunta que ela me fez lá atrás: “Por que você me trata assim?”

As minhas buscas incessantes e sinceras tiveram resultado, pois Deus me revelou a resposta. Ele me fez voltar lá atrás, na minha infância, uma época muito sofrida para mim. E me fez descobrir que eu ignorava a minha mãe porque eu a culpava. Quando entendi a situação, perguntei a Deus o que deveria fazer para reverter aquilo, e Ele me disse que deveria confessar tudo a ela e a minha família. Aquilo me doeu muito, porque havia um segredo dentro de mim que eu não tinha problema nenhum em falar sobre ele, e até o meu marido sabia, mas eu jamais queria revelar aos meus pais. Para mim, aquilo era um assunto proibido a eles. Mas resolvi me sacrificar e falei com eles.

Reuni meus pais e minha irmã e desabafei tudo. Disse que durante toda a minha infância havia sofrido com a pedofilia debaixo dos olhos deles e eles nunca souberam de nada. Por estarem tão preocupados com os próprios problemas, não perceberam que eu era a que mais precisava de ajuda. E por isso cresci revoltada, principalmente com a minha mãe, porque um dos agressores era da família dela. Projetei nela a raiva que sentia do agressor, e por isso a ignorava, como se ela fosse a culpada.

Meus pais ficaram pasmos e não esperavam ouvir tudo aquilo. Choraram, pediram desculpas, mas isso nem precisava, porque só o fato de eu falar a eles foi uma forma de eu pedir perdão e perdoar e ficar livre daquele segredo. Depois, para a minha surpresa, a minha mãe me disse que também havia sofrido com a pedofilia na infância dela. Fiquei pensando o quanto essa praga é uma coisa recorrente nas famílias e o quanto as crianças sofrem caladas para tentar poupar os pais de mais sofrimento, como foi o meu caso. Eu nunca lhes falei nada para não levar mais sofrimento e problema, já que eles dois já tinham tantos.

O interessante é que essa descoberta que me libertou (chamo de libertação mesmo) “coincidiu” com a oferta de agosto, do espírito virtuoso, em que deveríamos pedir ajuda e revelar o que tanto queríamos esconder…

Sabe, tudo isso me ajudou muito, e nem sei se deveria falar assim, mas agradeço a Deus até por esse mal que sofri. Sou muito grata a Ele, pois aquele sofrimento me fez encontrá-lO poucos anos depois, e a partir daquele dia, Ele NUNCA mais deixou que alguém me tocasse.

Mas a raiz perdurou por muito tempo até que eu a descobrisse escondidinha. Eu via os ramos do trauma no meu casamento, pois às vezes tratava o meu marido como eu tratava a minha mãe antigamente, ou seja, com desprezo. Tudo mudou depois que arranquei essa raiz, mas creio que muitas mulheres, mesmo na igreja, também sofram com esse tipo de trauma e nem saibam.

É por isso que esse e-mail é uma forma de agradecer a você por ser esse exemplo para nós (veja que o que despertou a minha fé para essa descoberta foi o seu exemplo de filha carinhosa) e uma forma também de lhe pedir essa ajuda às mulheres e crianças que sofrem com o trauma causado pelo mal da pedofilia.

Eu poderia falar muitas outras coisas do que aprendi com tudo isso, mas sei que o seu tempo é curto e por isso não vou me estender. Porém, quero que saiba que pode contar comigo para o que precisar, pois o meu maior sonho, ainda mais agora depois de ver tudo o que Deus fez e tem feito por mim, é ajudar ainda mais quem precisa.
Deus a abençoe muito mais!

Beijos,
Jaqueline
Bispo Edir Macedo

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