A Mulher V que ajuda

Me chamo Thalyta Luciana Adão Alves Fehr, tenho 28 anos e sou comissária de bordo, trabalho para a empresa aérea Emirates e como resido em Dubai e meus pais em São Paulo no Brasil, sempre que tenho a chance tento operar um voo para São Paulo, assim passo o dia com eles e mato a saudade.

Como sempre faço isso, já não crio mais expectativas, e algo normal para mim, me exige o esforço de trabalhar em voo de quase 15 horas, enfrentar um fuso horário com 7 horas de diferença, mas vale a pena e sempre retorno com aquela dorzinha no coração de dar tchau para os meus pais.

Descansei algumas horas antes do voo (nesse dia literalmente algumas horas, foi um dia cheio com meus pais) e parti para mais um voo, ou seja para a minha rotina de volta a minha base e residência Dubai.

Como de rotina o voo estava cheio, são 310 passageiros e como de rotina eu sempre oro antes de voar, pedindo a Deus proteção e que Ele me use de acordo com a sua vontade, pois bem como de costume, procuro trabalhar sempre do mesmo lado da cabine, dessa forma eu crio um relacionamento com meus passageiros, um voo noturno, onde normalmente as pessoas dormem, uns assistem filmes e outros escutam musicas.

Fui chamada as pressas, pois era a única comissária que falava português na classe econômica, um senhor brasileiro não estava passando bem, eu o encontrei bem constrangido, com vomito em suas mãos e sua roupa, me apressei a acalma-lo enquanto a líder de equipe e o chefe de cabine, entravam em contato com o suporte medico em terra, para saber como proceder com esse caso, enquanto isso eu o limpava e ia traduzindo todas as informações necessárias para a equipe medica no solo.

Ele não parava de vomitar e já estava se sentindo debilitado, por isso decidimos retira-lo do seu assento e o levamos para o fundo do avião, onde assim como orientado pelos médicos, demos a medicação devida para enjoo e náusea, mas infelizmente o senhor não parava de vomitar, eu fiquei ali com ele e pude ver seu medo, pois estava viajando sozinho, iria apenas fazer uma escala em Dubai, pois iria seguir para Melbourne na Austrália (aproximadamente + 12 horas de voo), conversamos muito e o vi como meu pai naquele momento.

Como estávamos a algumas horas para chegar em Dubai e o caso não indicava melhora, fomos orientados de que o mesmo deveria proceder para o atendimento do posto medico no aeroporto e que uma equipe já estava aguardando por ele, quando dei essa noticia a ele eu vi o temor em seus olhos, sozinho, sem falar uma palavra em inglês e com receio de perder seu voo para a Austrália, onde iria encontrar sua filha.

Nesse momento eu sabia, era hora de agir, respeitando a escala de liderança perguntei a minha líder cabine se poderia acompanha-lo ao medico e ela muito indignada me disse que não, ate por que eu já havia ficado com ele metade do voo e não estava trabalhando como os demais, então não pensei duas vezes fui diretamente ao chefe de cabine e o mesmo disse que nunca viveu uma situação como essa e me orientou a falar com o Piloto, pois bem lá fui eu com Deus ao meu lado e em poucas palavras expliquei a ele, me lembro bem de ter dito, se fosse o seu pai, o que o senhor faria? Pois bem eu consegui sinal verde para ficar ao lado dele.

Me lembro como se fosse hoje, pousamos eu peguei minha bolsa e minha mala de mão e fomos os primeiros a sair do avião, a equipe o aguardava e seguimos ao posto medico, chegando lá fiz toda a tradução necessária de seu estado, entrei em contato pelo meu celular com seus filhos no Brasil e sua filha na Austrália, me lembro de ter avisado minha mãe que havia pousada mas não estava em casa e ela me disse filha, faca o que você tem que fazer e só vá para casa quando terminar.

Ele deitado na maca, estávamos juntos de mãos dadas e ele me disse você e meu anjo hoje Thalyta, e eu disse não, o anjo e o senhor…ele dormiu, descansando a medicação, quando acordou já estava melhor e o medico o liberou para o seu próximo voo, nos abraçamos, orei por ele e ele partiu em paz e segurança.

Quanto a mim, sei que passei quase 24 horas acordada, meu corpo físico estava cansado, mas sabia que Deus estava comigo, tive de ir buscar minha mala maior na empresa e depois fui para casa, sozinha mas com o sentimento de dever cumprido como seguidora de Jesus.

Como citado no livro “A Mulher V”, ela não precisa ser reconhecida internacionalmente ou pela mídia, na verdade eles quase nunca prestam atenção nela e naquele dia eu recebi o reconhecimento de Deus.

Mas para minha surpresa, devido a esse ato eu fui indicada por 3 comissários naquele voo e havia sido escolhida como estrela do mês da empresa, recebi as honras e os benefícios para aqueles que são estrela do mês e durante o meu discurso disse que a minha maior premiação era o fato de ter ajudado um ser humano, o tratando com amor e carinho como se ele fosse o meu próprio pai.

Deixo meu relato não para honra minha, mas para que fique o exemplo de que seguir os ensinamentos de Jesus e ser essa mulher virtuosa vale a pena e sempre valera.

Obrigada,

Thalyta Alves

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