Cris 1992

Cris 1992Logo depois que nos casamos, Renato foi transferido para Nova York e já que ele não falava inglês na época, ele passou os primeiros meses aprendendo a língua. Para ser sincera com vocês, eu amei rsrsrs… isso porque já que eu falava a língua, ele precisava de mim para tudo 🙂 Só que isso não durou nem três meses…

O Renato sempre foi muito inteligente e como uma esponja, absorve tudo rápido. Foi então que começou a fazer reuniões diariamente e porque morávamos mais de uma hora da igreja, nem sempre eu podia ir com ele, tinha meus afazeres da casa…

E lá estava eu, longe da minha família, das minhas amigas, do meu país, e do meu marido. Eu limpava a casa inteira, lavava as roupas, passava, e fazia o jantar para quando o Renato chegasse achasse tudo perfeito em casa. Essa era a minha rotina diária que logo se tornou um tanto quanto cansativa.

Na época, sem Internet e com as ligações para o Brasil extremamente caras, eu tinha que esperar alguém me ligar e muitas vezes eu recorria à cartinhas, que demoravam semanas para chegar.

Quando o Renato chegava a noite, era o momento mais interessante do meu dia, mas para minha tristeza, ele estava sempre cansado e sem vontade de conversar. Então logo me veio a vontade de ter uma filha.

Esse era um sonho pessoal que eu tinha desde criancinha, ter uma filha chamada Ana Beatriz. Eu sabia que era cedo demais para termos um filho, até porque eu nem conseguia dar conta da vida de dona de casa, imagina juntar a dona de casa com a mãe de primeira viagem sem o marido o dia inteiro, e com a família em um outro país? Pura insanidade minha… mas eu queria, meu coração pedia. Todos os dias, olhava outras mães com seus bebêzinhos no colo e eu as invejava…

Pelo menos eu terei uma companhia aqui em casa…

Quem sabe assim o Renato me dá mais atenção?

Ela vai parecer com ele e comigo, já posso até ver o rostinho dela!

As pessoas vão me respeitar mais, principalmente na igreja…

Eu quero!

Eu chegava a fingir estar com uma barriga grande para sentir um pouco do prazer de estar grávida… #boboca era apelido.

Depois de me convencer que era isso que o meu coração queria, eu comecei a literalmente encher a paciência do Renato. O coitado já chegava cansado e ainda tinha que me ouvir implorando por uma filha. Todos os dias eu pedia e para me calar, ele começou a negociar…

Daqui cinco anos a gente tem…

Mas não pode ser dois então?

Cinco…

Dois Renato, por favor!

Tá bom, três anos.

Combinado! 🙂

No início de dezembro de 1991, descobri que estava grávida. Eu não tinha planejado nem enganado o Renato, foi um erro que no fundo, eu amei! Fiquei tão feliz, vocês não imaginam! Mas a minha felicidade durou um dia…

À noite, naquele mesmo dia, eu tive um aborto espontâneo. Chorei muito… a neve caindo lá fora, o Renato querendo me animar, e eu só chorando. Foi assim que comecei o ano de 1992…

Estávamos na Fogueira Santa de Israel e eu corri para o Altar. Pedi a Deus que se fosse da vontade dEle, que mudasse o coração do Renato para que ele me deixasse ter uma filha. Você acredita que em um mês, eu é que perdi totalmente a vontade?

No fundo, não foi a vontade que perdi mas tive consciência de que o que eu estava querendo era egoísta. Deus mudou o meu coração para entender que eu não estava pensando na criança, eu só estava pensando em mim, nos meus caprichos pessoais. Eu entendi que o mundo (já naquele tempo) não estava mais propício para ter filhos e que eu devia procurar dar filhos para Deus. Foi então que sacrifiquei o meu direito de ter filhos para que Ele me desse filhas espirituais…

E Ele me deu, milhares pelo mundo a fora 🙂

As vezes os nossos sonhos não são os sonhos de Deus para nós, cabe a nós decidir segui-los ou sacrifica-los. Uma coisa é certa, quando sacrificamos nossos sonhos pelos sonhos de Deus, nos realizamos mil vezes mais!

Na fé.

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