Cris 1993

Cris1993Nesse ano, nós mudamos de lugar três vezes. Começamos abrindo a Igreja no Bronx. Foi a nossa primeira igreja e estávamos super felizes com tal privilégio.

Nós mudamos para um apartamento mais próximo da igreja que eu simplesmente amava. Era tão pequenininho que parecia ser o apartamento da fofolete 🙂 Eu conseguia dar conta melhor do lugar, é claro, mas o melhor mesmo era poder ir mais vezes para ajudar o Renato na igreja. Creio que foi nesse ano que nossos problemas de casamento realmente começaram…

Com a nova igreja, o Renato não tinha mais tempo para nada, eu incluída. Chegava sábado, nós evangelizávamos na parte da manhã e a tarde, quando voltávamos para casa, eu queria sair, assistir um filme, conhecer um pouco de Nova York e ele nada… só queria dormir ou ficar lendo algum livro quieto num canto do apartamento da fofolete e aquilo me irritava… você pode imaginar né? O lugar já era pequenininho e a nossa semana inteira bem corrida, o único dia que me restava para respirar um pouco o ar lá fora, ele queria ficar em casa.

Lembro-me de um dia insistir tanto que ele colocou um moletom velho e uma tromba de elefante e foi comigo no cinema. Não me esqueço nem do filme que assistimos esse dia “Mulher Solteira Procura”. Nem me dá a mão ele me deu, o tempo todo com muita raiva de mim. Foi horrível… consegui o queria, mas foi uma péssima experiência. Depois disso nunca mais forcei ele a sair comigo, vi que não valia a pena, mas não posso dizer que mudamos – que nada, ainda teríamos esse problema nos próximos 10 anos de casados.

Meu cabelo já tinha crescido o bastante e decidi fazer um corte diferente nele. Viajei uma hora para ir numa cabeleireira portuguesa que me falaram cortar muito bem, foi a pior coisa que fiz no meu cabelo até hoje! Chegando lá, mostrei a ela um corte longo de camadas lindo, e ela me disse que aquilo era permanente. Hoje, ninguém mais faz permanente, isso era uma coisa que se fazia na minha época de adolescente, e eu nunca tinha feito porque eu simplesmente não gostava do resultado… mas, a cabeleireiro foi tão convincente, que a boba aqui acreditou.

Quando ela tirou os bobinhos da minha cabeça, eu era uma outra pessoa… foi assustador. Meu cabelo já é cheio, volumoso, e grosso por natureza, agora imagina você a catástrofe! O cabelo encolheu todo até a raiz…

Cheguei em casa, me arrumei toda, coloquei um batom vermelho, e fui para igreja aquela noite para chegar lá e sentir ainda pior com o susto do Renato…

O que você fez com o seu cabelo! Quem mandou fazer isso! Está parecendo uma ovelha!

Pronto, agora nem a minha beleza chamaria atenção dele mais…. Fiquei muito triste no dia, lavei o cabelo para ver se melhorava, mas ao seca-lo ficou pior ainda. Foi um desastre…

Poucos dias depois, fomos transferidos para Miami e lá ficamos seis meses até sermos transferidos mais uma vez, dessa vez para fora do país: Africa do Sul. Chegamos lá no finalzinho do ano, te conto no próximo post.

Foi em Miami que comecei a ter crises de ciúmes, mas pensando bem, faz sentido não? Uma mulher que não tem a atenção do marido e o vê dando atenção a outras pessoas, acaba pensando não ser o suficiente mesmo… foi em Miami que comecei a me entristecer muito com o Renato. Já não me sentia bonita mais (como quando me casei com ele), tampouco tinha a atenção dele (como foi no primeiro ano de casamento). Cheguei a compor uma música triste… toda vez que a tocava, chorava.

Sabe amigas, em vez de usar a minha fé na época, o que usei mesmo foi a emoção, me tornei a vítima. Tadinha de mim era só o que eu pensava… não tinha amigas, não tinha carinho, ninguém me entendia… a única coisa que eu fiz certo nessa época foi levar tudo isso a Deus, mesmo que talvez da forma errada (na emoção). Deus foi o meu refúgio e isso me aproximou ainda mais dEle.

E quanto ao cabelo em 1993? Tive que cortar joãozinho para tirar o permanente… 🙁

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