Diário: Eu Não Entendia… assim… (1ª parte)

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Talvez não acredite, mas em todas as viagens procuro e peço a Deus que me revele algo, que mostre o que quer de mim.

E mesmo neste ano parecia que não estava a ouvir a Sua voz … Vai entender muito bem o porquê e detetar o motivo porque, por vezes, tem também dificuldade em ouví-Lo.

Bom! … Para começar, o ano de 2015 não teve um início com sorrisos e não estava maravilhada pelo que foi conquistado no ano 2014, mas estava com os pés bem assentes no chão.

No último mês do ano passado, em dezembro, teve a Campanha de Israel, na qual eu participei sabendo o que seria o meu sacrifício.

– “Meu Deus, que sacrifício!” – Dizia eu…

Parecia que estava a doar todos os órgãos internos do meu corpo. E estava a ficar sem eles para as minhas necessidades, tal era a sensação de dor.

Durante algum tempo, pedi pela salvação dos meus filhos. Mas o meu pedido nunca era muito seguro, porque no meu pensamento achava que não tinha esse direito. Então por isso, é que referi que há algum tempo já o havia pedido. Porém no final do ano 2013, comecei realmente a ter o desejo e deste passou para uma voz que ecoava dentro de mim, que me dizia que se eu pedisse teria que materializar a minha fé através desse pedido. Havia algo a fazer em prol disso, pois teria que entrar em contato.
E para falar a verdade, tinha muito receio em fazê-lo, uma vez que nunca tivemos a oportunidade de explicar a situação para os meus filhos, do que tinha de facto acontecido e já tínhamos realizado algumas tentativas nesse sentido … Mas todas foram frustradas, porque não havia resposta!

De vez em quando, contatava a Vera, mas ela ignorava e isso machucava-me muito, mais do que qualquer outra coisa. Porém agora, diante da fé que eu possuía, tinha que enfrentar, isto é, “partir para cima” do medo e impôr a minha crença, não me permitir sujeitar ao que o medo me induzisse.

Então no final do ano 2014, Deus me pede o Luis. Justo no momento em que eu estava a “colher” os meus melhores dias. Já batizado com o Espírito Santo, a entender mais as coisas de Deus do que no princípio e a dedicar-se também mais à Obra. E foi nesse preciso momento da minha “colheita”, em vê-lo como homem de Deus e a participar também do processo da sua aprendizagem, que Deus me pede justamente ele!

Antes de apresentar o envelope no Altar, levei o meu filho para dormir na Igreja com os IBURD’s. Ele estava a andar de muletas, devido à recém operação ao seu joelho.

Como chorava de dor … Como a minha alma gritava de dor … Já estava a entrar dentro do envelope. E disse-lhe: “Filho, nós os dois estamos a entrar dentro do envelope. Tu e eu!!”

Houve dias que chorava …, sem controlo. Era no carro, era em casa e em todos os momentos.

Justamente na altura que eu finalmente seria a sua mãe, para cuidar dele, desfrutar do único privilégio que teria desde que ele chegou até a mim … Ele é levado!

Bom, assim foi determinado por Deus para o fazer. Então assim foi feito!

Neste transcurso … depois viajo para Israel e fico a saber que ele iria viajar e para um lugar que nunca imaginei.

Acredita no lugar mais distante que eu nunca pensei existir em ter almas? Assim foi!! E quando sei disso é levantado a IBURD para ir para uma missão … Meu Deus, não fiz nenhuma festa, como normalmente eu faço em tudo o que tem a ver com a Obra de Deus.

Fiquei calada e com uma dor insurportável na alma.

Entre pensamentos que vinham e iam … Como: “Agora nunca mais vais ver o teu filho. E como

será? Quem vai sustentá-lo agora como um recém nascido de Deus? Quem vai orientá-lo? …”

Os meus pensamentos continuavam a ser alimentados pelos sentimentos, defendendo: “Meu Deus, ele nem tem direito a uma referência do que é ter um pai de Deus e nem uma mãe de Deus. Temos apenas 9 meses (tempo de gravidez) com ele. Como ele terá para a vida, um exemplo que adquirimos com o tempo que vivemos com os pais?”

Até que um dia, enquanto tomava café da manhã com os meus pais, o Júlio, mais o Bp Marcelo Pires e a sua esposa Márcia, não consegui conter as lágrimas… Saí da mesa e fui orar na casa de banho, tal era a minha agonia. Dor da alma mesmo! Dobrei os meus joelhos e chorava, mal conseguia falar e nem respirar, só no meio do sufoco pedia: “Ajuda-me Senhor! Eu sei que estou a ser egoísta. Mas eu peço-te que me ajudes a ter forças para Te entregar…”

A dor era tão grande, que nesse momento foi a 3ª vez da minha vida, que chorei intensamente sem fôlego para respirar.

Eu continuava a falar com Deus: “Eu sei que tenho que dar.” No entanto, o meu ser dizia assim mesmo para Deus: “Lá quero saber deste lugar! Eu sacrifiquei todos os meus sonhos e futuro para servir-Te, e depois de tanto tempo, quando tive a fé de pedir e insistir no pedido, com tanto sacrifício conquistei e agora o Senhor pede o meu filho? Peça outros filhos em que a mãe acompanhou toda a vida! Poxa…!”

Entretanto, o Júlio aparece, pois ele sabia que eu não estava forte. E veio com o senso meio preocupado para saber de mim, mas quando me vê no tapete da casa de banho aos prantos, pedindo forças, pergunta: “O que houve Mimiu?” E respondi: “Júlio, está a ser muito difícil eu entregar o Luis. Eu sei que estou a ser egoísta. Mas eu não consigo… está além do que eu posso suportar.”

A dor que estava a sentir, era como se voltasse anos atrás quando tive que deixar os meus filhos irem e nunca mais ter notícias. Como deixar isso ir embora? Se todas as vezes que eu falava deles, era para expressar o que não havia desaparecido dentro de mim. O carinho, o amor, a saudade estavam ali escondidos. E todas as vezes que falava era um meio de colocar para fora aquilo que nunca deixou de existir. Por todos os lugares que passei após a perda deles, eu contava o testemunho de como foi duro, mas por incrível que pareça, eu sempre chorava sem me envergonhar. As esposas de pastores, coitadas, tinham que ouvir do meu passado… Fazia delas como o meu único refúgio de expressar algo que carregava dentro de mim. O Júlio também não gostava de falar do assunto, pois também carregava a ferida de se sentir impotente diante daquela situação que estava fora do alcance dele.

Então, naquele momento o Júlio muito simples e sem nenhuma dor disse: “Miu! É o Isaque que estamos a oferecer a Deus! Não deveria estar feliz por ter agora o Isaque nas mãos para oferecê-lo e por apresentar o seu melhor?”

Tudo o que ele falou era o oposto! Acredita?

Não estava com nenhum prazer em oferecer aquele sacrifício.

Este espisódio aconteceu dias antes da Retrospetiva de 2014 (27 de Dezembro de 2014). Justamente na semana em que eu estava com muitas responsabilidades e tinha que estar bem para apresentar uma oferta aceitável no altar.

E lá estava eu… sem nenhuma condição diante daquilo que estava a viver.

Até que pedi a Deus forças. E sabe o que eu fiz? Comecei então a “tocar o barco”, ou seja, a resolver tudo o que estava pendente. Deixei de dar atenção ou tempo à espera que a emoção passasse, para agir. Tomei atitudes decisivas, estive menos tempo com os meus pais e fui para a igreja, dediquei-me à Retrospetiva. Alterei o roteiro, removi as coisas que não iriam acrescentar em nada, enfim avaliei tudo. Porque não queria que houvesse algo emotivo em nada, mesmo diante da dor que estava a viver.

Para além disso, estava consciente que dentro do envelope encontava-se tanto eu como o Luis. Mas não deixei de ficar centrada nas minhas necessidades. Coloquei de lado o que sentia e fui em frente, mesmo “moída” por dentro.

Houve uma oração que fiz, que disse o seguinte:

-”Oh, Deus! O teu povo não tem culpa do que estou a viver agora. Não têm o direito de receber migalhas e não conhecimento. Pois sei que em tudo o Senhor tem-me abençoado e permitido ter sempre o que dizer. Mas eu não quero dizer apenas a Tua Palavra, mas ser a Tua Palavra no Altar. Perdoa-me! Porque eu entrego-Te o Luis, custe o que custar.

Não vou sentir-me com direitos ou vontades, nem fazer o que a minha carne pede. Mas vou servir-Te, dar o meu melhor e o povo não receberá apenas uma palavra, vai receber vida porque, neste momento, o que eu estou a viver é a minha maior entrega.”

Chegou o dia do evento e lá estava eu, calma, serena e tranquila.

No entanto, nesta altura, estava em dieta e não tinha fome nenhuma, não tinha vontade de comer e só de olhar para a comida dava enjoo. (Todas as vezes que perco a fome, certamente algo não está bem).

Mas lembrei-me de Ana, que após a sua ida ao templo e ter feito o seu voto com Deus, ela comeu. Eu tinha que fazer o mesmo, sem fome e mesmo com enjoo da comida, assim o fiz.

Comi e até o que não fazia parte da dieta alimentar, não com satisfação mas porque não aceitava viver pelo que sentia. Eu tinha que comer. O meu corpo tremia de fraqueza e precisava de estar bem.

Estava consciente do que o povo tinha que receber: vida! E Deus também teria que ver que não estaria a satisfazer a vontade do meu eu, do meu sentimento. Pelo contrário, sou eu que não quero apresentar isso no Altar.

A Retrospetiva 2014 em Lisboa, foi a melhor de todas as que já fiz. Desde o princípio até ao fim, eu vi Deus em tudo. Ele estava a sustentar o meu corpo e também o meu envelope nas Suas mãos. Pois estava bem pesado … tudo o que eu possuía naquele momento.

(Continua …)

Viviane Freitas

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1 comentário

heydi perez Responder 24 Março, 2015 às 15:30

Muy Fuerte señora
Esperare la otra parte.