Diário: Eu não entendia assim … (5ª parte)

diario_5A viagem ao Leste Europeu ensinou-me muito! Com aquela revelação da Mulher Samaritana as minhas experiências foram além daquilo que eu tinha visualizado até então.

Além disso, simplificou muitas questões dentro de mim que tinha dificuldade em resolver e por mais que lutasse contrariamente em relação a essas, não entendia ao certo o porquê de ter determinadas atitudes.

Mas esta viagem ficou marcada na minha vida. E porquê?

Devido à forma como eu viajei, desprendida das minhas necessidades;
Ao modo como reagi diante da possibilidade de pedir ao meu pai uma oportunidade e de dar-me ao “direito” de convencer o Júlio para levar o Luís na viagem e, assim, poder detetar tão instantaneamente que estava a responder à minha própria vontade;
À forma como entrei na igreja;
Ao modo como ouvi a voz de Deus tão clara e tão nítida;
Ao facto da Palavra de Deus queimar dentro do meu ser;
E o jeito de como tudo foi revelado dentro de mim.

Tudo isto fez com que eu tivesse o resultado da resposta que tanto esperava do meu Senhor. E Ele, misericordioso como é, falou-me explicitamente aos meus ouvidos. Não pude impedir a voz Dele a queimar na minha alma e a realizar uma separação entre o meu entendimento e as minhas emoções.

Meu Deus! Como o Senhor é grande! Como vai além das nossas expectativas! Como é paciente, humilde, misericordioso para falar a mim, tão falha e pecadora.

A cada dia não tenho como explicar … Como é grande a oportunidade de poder serví-Lo. Não é um peso!. Peso são os meus sentimentos que aparentam ter toda a razão, mas que o destino resulta em tristeza, medo, ansiedade e dúvida.

Mas quando passamos a ouví-Lo e a receber tanta paz, além daquilo que podemos imaginar, somos levados a um nível muito superior e que a capacidade humana possa entender. Um nível de valor! Que não alcança quando é guiada pelos seus sentimentos. Pelo contrário, faz de si uma autêntica miserável.

Mas continuando … Ao chegar a Lisboa, cheguei diferente, contudo, não estava consciente sobre isso. Tudo começou a ser percetível mesmo antes da nossa chegada a Portugal, com um email de um ex-pastor que confessou o seu pecado escondido depois de anos e que foi removido do altar.

Ao receber este email impactante e vindo de alguém que jamais podemos conceber na nossa mente algo tão catastrófico, fiquei impressionada, mas ao mesmo tempo indiferente.

Como assim, “indiferente“?
Não ama as almas?
Porque é que agora agiria de forma distante e fria diante daquela notícia?

Porque sem nenhum esforço entendi claramente que ele teve toda a oportunidade para confessar e começar a sua nova história, mas insistiu em esconder o seu mau caráter, em vez de odiar aquilo que o afastava de Deus. Ele preferiu a mentira para apenas “assegurar” a sua posição ou até mesmo a sua “segurança” na obra de Deus.

Muito triste esta situação!! Revoltante para quem está no altar! Ter toda a condição de viver uma vida separada e santa, e, ainda assim, ser infiel diante de Deus e diante dos homens. Uma falta de respeito brutal! É brincar com algo que é Santo.

E agora? Ele era casado! E como seria com a sua esposa?
Pagaria o preço também pelo erro dele?

Bem, aqui já não sou eu que estou diante da situação! Mas a questão de quem ela foi diante das oportunidades com que foi brindada. E a sua manifestação da fé.

Estava ela consciente do erro dele?
98% não. Mas outros 2% tinha sinais da falta de seriedade ao trabalho.

Então, ao chegar a Lisboa recebo imediatamente uma mensagem dela a pedir com urgência para falar comigo. Explicou que também não sabia da “sujeira” que ele tinha vivido até aquele dado momento em que ele confessou. E eu estava tranquila, muito calma, algo fora do normal em mim!

Digo isto, porque sou uma mulher super atenciosa em questão às ovelhas que Deus me confiou para cuidar. Amo e vou até ao limite para ajudá-las. Mas porque é que estaria tão tranquila? Será que estava fria em relação ao meu amor pelas almas?

Bem! Tinha chegado de viagem, o meu corpo estava exausto por estar 2 semanas fora de casa em 6 países com fuso horário de 1, 2 e 3 horas a mais de Lisboa.

Não sabia o que se passava comigo, mas tudo isto estava a acontecer diante dos meus olhos. Estou sempre atenta a mim mesma como uma forma de proteger a minha salvação.

E ao fim do dia depois de ter cumprido com as responsabilidades que tinha após a viagem, liguei para esposa e conversámos.

Ela estava desesperada! Só dizia diante de tanta agonia e deceção: “Eu não tenho culpa! Eu não quero voltar com ele para o Brasil. Quero continuar aqui!”

Oh meu Deus! Como poderia eu ajudá-la, diante daquele desespero todo? Como poderia resolver …, se tudo o que eu possuo é apenas a Palavra?! Não tenho autoridade para mudar a vida dela ou o destino dela.

Diante de tamanha dor, lá estava eu falando com Deus: “Meu Deus, ajude-me a ajudá-la. O que eu falo diante deste problema horrível, caótico?! Não sei o que posso fazer …”

Foi nesse exato momento que veio a voz de Deus, como resposta, dizendo assim: “Fale o que você tem!” Então, eu disse para mim mesma: “O que eu tenho é água viva.”

Já tinha passado alguns minutos enquanto ela falava, quando disse-lhe com precisão, definida e segura: “Eu não posso ajudar-te! Eu sei que olha para mim como alguém que pode interceder por si. Mas, eu não tenho esse poder. Mas uma coisa é certa, você está com muita sede. Então, precisa de beber da ‘água da vida’, pois Jesus disse que a água que Ele lhe der jamais fará ter sede! Jamais!!!!!

Você precisa beber da ‘água’ que Ele tem para lhe oferecer.”

Imediatamente, aquela esposa de pastor parou de chorar e ficou atenta às minhas palavras.

E continuei: “Eu não sei o que vai acontecer daqui em diante. Se vai voltar para o Brasil ou vai ficar aqui em Portugal. Mas de uma coisa é certa, se você for até Jesus e invocá-Lo, tudo é possível!
Procure em Deus a solução para a sua vida! Porque eu não tenho nada para te oferecer senão a ‘água viva’ que Ele me deu.”

Aquela esposa enxugou as suas lágrimas. Também já não comia por alguns dias, o que a fazia estar fraca fisicamente e eu disse-lhe: “Pare de chorar! Vá até Jesus! E após você falar com Ele, não chore mais. Pois todas as vezes que chorar é como se estivesse a nutrir a dúvida. Vai comer. Pois Ana (a mãe de Samuel) após ter chorado desesperadamente desabafando a sua dor, fez um voto a Deus e após ter feito o voto ela comeu e bebeu.”

O mesmo faça: “Vai comer e beber!”

Eu estava a falar exatamente o que eu fiz quando estava para fazer a Retrospetiva 2014 do Godllywood. Lembra da dor enorme que eu estava a viver? Recorda-se que estava até em dieta e sem fome nenhuma? Pois é, eu determinei na altura em comer sem vontade porque eu seguiria em frente e daria o meu sacrifício custasse o que tivesse que custar. E era assim que ela tinha que fazer também!

Vejam, amigas internautas, que o que eu falava para esta mulher foi o que eu vivi e vivia na mesma altura.

Terminámos de falar e chegou o dia seguinte … O dia em que a passagem dela já estava comprada para voltar ao país de origem com o marido. E nada, nenhuma resposta vinda do responsável!!

Chega, então, outra esposa de pastor juntamente com o seu marido na minha casa, para informar e resolver as coisas pendentes que ficaram enquanto estivemos de viagem. E ela chega junto de mim e diz: “Ai, Viviane … A esposa que o marido saiu da obra, eu vi a dor dela. Chorei após ter falado com ela no telefone.”

“Oh oh! Alguma coisa estava de errado comigo!”, dizia eu! Eu não estou a sentir nada …, nem pena, nem preocupação e nem medo! Falei para mim mesma: “Deus, será que estou fria em termos de amar as almas? Que estranho! Porque não estou a sentir o mesmo?

O normal como pessoa seria estar preocupada e incomodada de todas as formas, dar um “jeitinho” na situação para alcançar aquilo que gostaria que acontecesse … Mas não fiz nada?

O Júlio estava muito aborrecido com essa situação. Alguém que ele tinha confiado, estava a “trair” a confiança descaradamente com tantos exemplos, mensagens, reuniões, cuidado e advertência e, ainda assim, age desta forma para com Deus e com o povo.

Não podia nem tocar no assunto para interceder pela esposa que vivia nesse caso.

E eu segui, questionando a Deus, em “caça” do que poderia estar de errado comigo?

Porém e à minha volta acontecia várias situações em simultâneo. A minha assistente iria embora para casar, os meus compromissos e responsabilidades estariam no “ar”, a minha outra filha estava para chegar e eu tinha que organizar como seria a minha nova vida, sem assistente e com uma filha que desconhecia totalmente.

“Oh my God!!!!” – Imagine, diante de tantos compromissos como estaria eu? Super agitada, tentando conciliar tudo de uma vez. Mas não foi isso que aconteceu.

Enquanto eu coloquei as responsabilidades da igreja no papel, do qual eu cuidava, o blog e nos idiomas que tem de ser traduzido e etc., veio à minha mente a ideia da esposa que não queria ir embora com o seu marido, a qual poderia então ficar no lugar da minha outra assistente. Mas como falaria do assunto? … Como levaria isto até ao meu marido, se ele não podia ouvir nada a respeito do caso!!!!

Então, no mesmo momento, surge o meu marido todo feliz, dá-me um beijo e abraça-me do nada … E vi a resposta de Deus, a dizer: “Agora é o momento de você apresentar todo o projeto e possibilidades que tem na sua cabeça, tanto da assistente como também o que a filha iria ajudar …”

“É agora! Vou falar com o Júlio!” – Assim expus decidida e sem medo o que queria dizer: “Miu, olha o que eu tenho aqui! Eu pensei nisso que a Vera poderia fazer e isso essa esposa, que o marido saiu da obra, poderia ajudar com essas outras responsabilidades, porque ela já está familiarizada.” Imediatamente ele disse: “Oh que legal! Arrebentou!”

Meu Deus! Não intercedi pela esposa, mas Ele ouviu o clamor dessa mulher.

No final daquela tarde, liguei para aquela ex-esposa e perguntei: “E então, você bebeu da água da vida?” E ela respondeu: “Sim! E eu tenho certeza! Eu tenho paz, D. Vivi.”

Então falei-lhe que: “Deus ouviu o seu clamor, você vai trabalhar comigo!”

Olha que interessante!

Eu que pensava que tinha que sentir pena, mais uma vez o Espírito Santo me revelou com todo aquele acontecimento, que o que Ele quer é que demos vida e não “sentirmos” por ela.

E o interessante é que essa (agora) ex-esposa, procurava por isso! Repare, quanta responsabilidade estava e está sobre os nossos ombros em viver a fé! Não podemos falhar nem por um instante! Por isso, temos que andar na fé. Aquela Palavra, que foi muito mais forte do que posso exprimir aqui no diário era vida e era tudo o que ela precisava. Foi o sustento … Foi o “maná”!

Essa ex-esposa, está a trabalhar atualmente comigo. E temos uma história que envolve fé que marcou as nossas vidas para sempre, tanto para ela quanto para mim.

Ela foi abençoada e eu também, não em termos de resposta a trabalhar ou a ficar em Portugal, mas em encontrar a “água que jamais traz sede”. A água que Jesus tem para dar a todo aquele que procura, é sincero e assume a sua fé.

Tem ainda mais respostas sobre essa “água da vida”! Acompanhe o próximo diário …

Viviane Freitas

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