Eu não entendia assim… (7ª Parte)

Vera_cdaA Vera chega no dia 11 de Fevereiro. Toda a família na expetativa. Os meus pais, nós os pais e o irmão. Era uma festa. A minha filha, a mais velha, estava a chegar.

Vou toda “arrumada”, bem jovial e moderna, justamente para ela ter o prazer de ter uma mãe jovem e cheia de energia.

O Luís “arruma-se” todo, coloca terno para a sua chegada. E lá vai a família toda feliz buscar a Vera ao aeroporto. Chegando lá, o Júlio não encontra lugar para estacionar, e fica à espera no carro por uma vaga. Eu e o Luís vamos para dentro do aeroporto, aguardar. Enquanto não aparecia, lá estava eu a filmar toda a expetativa para a chegada da nossa linda princesa.

E de repente, ela chega ao nosso encontro! Dá-nos um abraço e vamos para o carro. Enquanto íamos para o carro, ficou combinado de o Júlio prosseguir com o Luís para a igreja, a trabalho, e nós prosseguíamos para casa, já que haviam 8 horas de fuso horário.

E ali, no carro, um silêncio. Eu sem saber o que falar. Ela também um tanto “sem graça”. Vamos para casa, desarruma-se a mala, etc.

Passaram-se os dias, nós éramos estranhos. Ela não vivia na mesma fé que nós, e eu tinha que aprender a ser mãe de alguém que viveu mais longe de mim, do que perto. Para além de que a minha assistente estava a ir-se embora. Tudo novo e desconhecido na minha vida.

A Vera ia à igreja, orava, buscava e até eu via que ela se derramava diante de Deus, mas o comportamento dela era o mesmo após a sua oração. Havia algumas mudanças de atitudes, mas não todas, ao ponto de se evidenciar tanto.

A Vera era distante. Por mais simpática, extrovertida e risonha, havia algo distante entre nós. Nem eu era próxima e nem ela. Eu não sei, mas depois de ter voltado do Leste Europeu, até os meus beijos começaram a diminuir. E não a beijava como eu gostaria de beijar.

A princípio via rejeição de tudo o que eu lhe dizia. O modo dela me ouvir nem sempre era aceite. Porém, eu percebia algo diferente em mim. Eu estava a lidar justamente dentro da minha casa com a rejeição, e vinda diretamente da minha própria filha. E eu estava em paz. Parecia mais que estava vestida de um capacete da salvação. Nada me atingia.

Eu achegava-me carinhosamente a ela, e nem sempre ela aceitava os beijos, os abraços, a compreensão, etc. Assim vivi durante algum tempo.

Por incrível que pareça, com o pai, era diferente. Ela aceitava tudo o que vinha dele. Mas de mim não.

Por mais distante que ela ficasse, ou mesmo perante as barreiras que ela colocava à minha participação, nunca deixei de crer nela. Entendia-a perfeitamente! O passado amargo e o facto de ser mal amada, fez com que ela se “protegesse”. Havia medo, desconfiança de algo sincero e puro que havia em nosso lar.

Por mais que as coisas não estivessem como gostaria, nunca mais me concentrei nisso. Aprendi tantas lições no princípio do ano, que agora com a “Água da vida”, tudo se tornava um problema apenas no exterior.

Eu não sabia como começar a trabalhar nela. Queria fazer tantas coisas, mas tudo era novo. O meu tempo estava diferente, tudo estava muito diferente daquilo que vivia antes. Participava Deus de tudo o que estava a viver; pedia-Lhe para me ensinar a ser quem eu precisava ser para ela. Não dizia nada ao Júlio, para não lhe trazer preocupação e assim poder proporcionar-lhe paz, a segurança de que tudo estava sob controle.

Uma ou outra coisa era dita porque ele me perguntava. Mas na verdade eu não via necessidade, pois todos os problemas que a Vera vivenciava estavam no exterior, e não entravam no meu interior.

Poderia até sentir por um momento, mas aquilo não influenciava e nem se apoderava de mim.

O Júlio também via dificuldade em se relacionar com a Vera, como filha. Como ela ainda não tinha o Espírito Santo, ele não se sentia à vontade.

Então, tudo estava sobre os meus ombros. Era eu a mãe. Era eu a que tinha que ser sábia, e edificar esta casa. E lá estava eu, diferente de tudo o que eu sabia de mim mesma. O facto de ser rejeitada por ela, não fazia com que eu não a compreendesse. Eu respeitava o que ela não queria da minha parte.

O facto dela não gostar do meu jeitinho e nem se identificar comigo, não inibia quem eu era; apenas aguardava com paciência o momento em que pudesse ser aceite.

Beijava-a, mas sabia que não era tão “bem vinda”. Para ela parecia falsidade, mas para mim, eu estava a quebrar aquilo que não fazia parte de mim. Em outras palavras, não me anulei, continuei sendo quem eu sou. E o que isso significa? Eu ter consciência de tudo para além do meu valor. Não tinha nada de insegurança ou necessidade de aprovação para continuar. Eu fazia porque eu cria e queria ser quem eu sou com a minha família.

Tudo estava indo assim, de forma um pouco estranha, mas centrada no meu objetivo. Além de saber da necessidade de dar atenção, sou uma pessoa com bastantes responsabilidades, que não pode parar no serviço da Obra de Deus. Lido com esposas de pastores, com obreiras no departamento, etc. E preciso “gastar” tempo com reuniões, para além de saber lidar com o tempo para a minha filha. E digo, não é nada fácil. Mas a Vera sempre se mostrou compreensiva quanto às minhas responsabilidades. E ela respeitava-me com tudo isso.

Mas via também que ela precisava muito da minha companhia. Ela precisava de muito diálogo. Ela precisava de uma amiga e eu tinha que lhe mostrar confiança. Em outras palavras, eu tinha que trabalhar e exercitar a fé constantemente. Tinha que conquistar o meu espaço de ser a mãe dela. E ela consequentemente.

O Luís tinha que conciliar agora a nova fase de compartilhar os pais com a irmã. Já que antes os pais eram só para ele, quando estava em família.

Tudo tinha que se encaixar perfeitamente. E isso seria através da fé, e consequentemente como relacionamento com Deus.

E tudo tem fluido.

A Vera batizou-se nas águas novamente, e após alguns dias passou por uma luta que parecia sem fim, mas ao final de uma semana foi batizada com o Espírito Santo.

[floatquote]Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. (Jo 4:14)[/floatquote]

Já percebeu como a água não é apenas para um momento e sim para a vida?! E vida que produz salvação!

[box]

Colaborou:

Viviane Freitas

[/box]

Viviane Freitas

Deixe o seu comentário

Ou preencha o formulário abaixo.

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *