O que aprendi com as cigarras

12 Mar 2011, El Salvador --- A cicada rests before starting the evening concert in the fourth week of the season for cicadas in El Salvador --- Image by © Ricardo Alas/National Geographic Creative/Corbis

Vivi alguns anos da minha infância na pequena e pacata cidade de Ibiá, no interior de Minas Gerais.

Nossa casa tinha um quintal nada convencional para os dias de hoje, pois ele era gigante. Nele havia algumas árvores frutíferas e outras florais que enchiam nossos olhos de beleza.

Eu era capaz de ficar horas no jardim para admirar as lindas borboletas, as joaninhas, o caminho brilhoso das lesmas e o seu movimento lento.

Outra atração neste terreno eram os formigueiros. Meus olhos ficavam grudados nas idas e vindas incansáveis daqueles pequenos seres. Quando conheci as Escrituras Sagradas e descobri que nelas havia uma recomendação de aprendizado com as formigas, me lembrei do quanto eu já tinha vivido isso.

Mas esse quintal enorme não proporcionava só diversão! Algumas vezes era comum nos assustarmos com o aparecimento inesperado de algumas cobras, lacraias e escorpiões .

Mas nada me dava mais prazer que brincar com as cigarras.

Acho que os moradores das grandes cidades não conhecem esse bichinho, senão pela pesquisa na internet. E é provável que se ouvissem o som estridente produzido por elas, talvez se incomodassem.

Gostava tanto das cigarras, que às vezes eu ia silenciosamente e segurava alguma pelas asas. Ficava alguns minutos com ela capturada só para admirá-la mais, mas em seguida as soltava, sem nenhum ferimento (não sei o que elas teriam a falar sobre isso, rs).

Na minha exploração da natureza descobri tanta coisa que é impossível não lembrar e comparar com a vida, por isso a história das cigarras me inspirou a escrever hoje.

As cigarras macho usam sua sinfonia para atrair a fêmea, mas também para anunciar o verão e as chuvas para o homem do campo. Então, elas cantam o mais alto que podem até se despedirem da vida. Mas o que me intrigava era descobrir que algumas, ao morrerem, continuavam com sua carapaça ali agarradinhas, como se nada tivesse mudado. Aparentemente elas estavam perfeitas, até que a tocávamos e percebíamos que estavam completamente secas.
E não é que existem pessoas assim também: trabalham, estudam, fazem compras, vão à igreja, pagam contas etc., aparentemente tudo está normal, mas o seu interior está completamente seco e sem sensibilidade para a vida.

Aos poucos, elas se transformam em pessoas egoístas, enxergando apenas a si mesmas. Correm pelas suas necessidades e pouco importa se existe alguém por perto sofrendo. Possuem corações frios, incapazes de chorar de arrependimento quando ferem o outro. Imagina então, como elas se relacionam com Deus, que é invisível!

Estão preocupadas em manter a “carapaça”, ou seja, a aparência e, para isso, são capazes de mentir, trapacear e trair.

Valores e princípios fazem parte do seu passado, pois no seu presente o que importa mesmo é se dar bem e fazer suas próprias vontades.

Pessoas mortas perdem o que dá maior vigor à existência: amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Mt 22.35

Caminhe pelas trilhas de sua alma, e se você consegue perceber que ao longo dos anos as mudanças que aconteceram em seu interior criaram uma vida de ilusão, e hoje nem mesmo você identifica a sua essência e seu propósito original, ainda tem jeito de mudar isso!

O Senhor Jesus declarou repetidas vezes uma Verdade profunda, dizendo às igrejas do livro de Apocalipse quanto à sua real condição: “Eu conheço”. Ele conhece a todos, mais do que nós mesmos nos conhecemos.

Nada pode Lhe dar mais desgosto que uma pessoa que vive de forma superficial e fingida. Por isso, Ele disse que fica nauseado a ponto de sentir vontade de vomitar com pessoas assim. Ou seja, se até o Próprio Deus tem dificuldade em ter comunhão com elas, imagina as pessoas? Gente assim, se não mudar, acabará sozinha.

Portanto, se você caminha em direção à vida de fachada, ainda há tempo de mudar. Arrependa-se e descubra a alegria de uma vida de verdade em todos os sentidos.

Um beijo e até a próxima!:)

Colaborou: Núbia Siqueira

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