O que eu valorizava

331692aa4d9ddcdfbd7feb8fb7e8646cVoltar ao passado faz-me valorizar cada momento da minha vida.

E então, os meus pais vão para a California e decidem ficar por lá, e depois de algum tempo fomos transferidos para lá também.

Um Estado bonito e alegre
Fomos viver novamente com os meus pais. Para chegar à sede tinha que viajar 1 hora e meia. A sede estava no antigo cinema Million Dollar. O local era bem antigo. Esse cinema foi inaugurado em 1918 na Broadway, Downtown em Los Angeles, não como Igreja Universal mas como cinema.

E neste Estado haviam mais igrejas e mais pastores, obviamente. Ficámos algum tempo na sede.

Havia programa de Rádio e de Televisão na altura. O Júlio estava sempre nos programas de rádio, e mesmo não fazendo nenhum programa, amava ir para lá, a fim de ter alguma oportunidade de servir.

Vários pastores moravam em cima da igreja, onde existiam vários apartamentos alugados pela mesma. Normalmente os pastores que viviam em cima eram os pastores que estavam na sede. Na hora do almoço, os pastores iam para a sua casa almoçar, e nós tínhamos que continuar com a “marmita” de casa. Às vezes o Júlio era convidado por algum pastor para comer comida fresquinha na sua casa.

Por não ter muito espaço, e não ter nenhuma atividade na igreja, eu ocupava o meu tempo com outras coisas.

Não só morava distante da igreja, como também de outros lugares importantes para o dia a dia de casa e do ser humano. Como para ir ao mercado mais próximo, que ficava a 25 minutos, o shopping, que distava 45 minutos a 1 hora de carro. Tudo era muito distante e, consequentemente, vivia uma vida isolada de todas as demais esposas.

Então, como não tinha forma de ficar na igreja sempre, pois não havia espaço e nenhuma função física outorgada a mim, assim como não havia a função de trabalhar nas reuniões, investia o meu tempo de “sobra” para fazer outras coisas que também eram muito importantes na vida de uma dona de casa e esposa.

Organizava as minhas coisas em casa, fazia faxina 1 x por semana na minha suite, e muitas vezes, quando a minha mãe não podia, eu ia buscar o meu irmão à escola. Normalmente eu ia juntamente com a minha mãe fazer compras para a casa.

Vivia uma vida tranquila, mas sempre procurando de alguma forma ser útil em algum lado.

O meu pai gravava os programas de rádio para o Brasil. E para mim, eu ansiava como um presente ouvir toda e qualquer mensagem dele. Queria tanto aprender a ser melhor para Deus, apresentar algo aceitável a Deus, que as minhas escolhas estavam sempre voltadas para esse objetivo.

Se o meu pai chamasse o bispo ou algum outro pastor para conversar, lá estava eu, com a minha “antena” ligada para aprender e poder passar o espírito ao Júlio.

Eu era uma verdadeira “esponjinha”.

Quando o meu pai recebia as suas gravações em fitas cassetes, ele normalmente dava para mim ou dava para outra pessoa ouvir. E quando chegava às minhas mãos eu ouvia a fita cassete como também guardava com todo o carinho. Ao escutar, colocava o tópico do assunto na fita, e zelava como algo muito precioso. Não queria compartilhar muito a fita com ninguém com medo de não me devolverem, tal era a importância que dava à Palavra de Deus e ao Espírito de Deus que vinha do meu pai.

Queria a todo o instante aproveitar toda e qualquer oportunidade. Eu não via a hora do meu pai ter tempo para falar e ensinar ao Júlio. Mas isso nunca acontecia. Afinal, o Júlio era apenas um pastor e não era responsável por nada. O meu pai trabalhava mais com os responsáveis.

Nesse tempo, como tudo era distante de casa, ficávamos um pouco isolados de tudo e todos. Mas foi uma ótima oportunidade de estar em sintonia com Deus. Como o Júlio muitas vezes chegava muito tarde (madrugada), e eu ficava à espera dele chegar, eu aproveitava todo o meu tempo para ler, meditar na Bíblia e orar.

Coisas que eu fazia quando era solteira. As noites eram o meu espaço com Deus, o meu investimento no meu relacionamento com Deus. Ali sempre eu desabafava, buscava, etc. E quando casei, tudo passou a não ser mais organizado como era antes, já não podia investir tempo na minha vida espiritual à noite, como antes. O estar casada exigia que eu desse atenção ao meu marido. E isso aos poucos foi dificultando a minha intimidade com Deus.

Aquele suposta solidão, em vez de me entristecer, fez-me empenhar naquilo que eu já conhecia quando solteira. Virou de um “limão uma limonada”.

Esses tempo foram momentos valiosos para mim. Na verdade, até estava a preparar-me para o que viria pela frente. Comecei a construir algo que há muito tempo eu não fazia. Dia a dia eu tinha conversas com Deus.

Comecei a “policiar-me” como pessoa. Comecei a planejar quando tinha que sair de casa. Eu tinha cabeça para isso, não estava ocupada com preocupações e nem distração. Então todas as vezes que eu tinha que sair (não sou muito de sair, sou muito caseira ou “igrejeira”) em vez de ouvir músicas seculares da rádio, levava a fita do meu pai para ouvir. E foi nessas viagens de carro sozinha à ida ao mercado, shopping, igreja, farmácia, etc., que eu aprendi a falar com Deus. Aliás, a viver com os meus pensamentos Nele. Afinal, não tinha com quem falar!

Não sabia eu que tudo se estava a encaixar e até a preparar-me para o que viria adiante de mim.

Estava em “Lua de mel” com Deus. Fui-me fortalecendo cada vez mais com Ele e as minhas ações “falavam” a esse respeito.

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