Voltando ao Passado – 12ª Parte

Em Nova York tivemos muitas lutas concernentes à Obra. Não é nada fácil fazer a Obra de Deus em outro país, que tem uma cultura diferente do seu.

Existem várias lutas que o homem de Deus e a mulher de Deus enfrentam dentro da Obra de Deus.

Primeiro no seu ser, como homem de Deus, vencer as suas lutas internas e dificuldades, sem se permitir afetar e nem distrair com as suas necessidades. Para além de superar a si mesmo, deve manter-se sempre “vivo” espiritualmente para manter o povo bem “alimentado” espiritualmente, respondendo às suas questões, abençoando e removendo o mal.

Mediante a responsabilidade que é colocada nas mãos do pastor e da esposa, não pode estar em falta. Isto é, ele tem que estar em comunhão com Deus intensamente para fazer aquilo que deve ser feito. Ele precisa estar com os ouvidos atentos à voz de Deus.

E quando o pastor é novinho e a esposa também, têm que amadurecer dentro das grandes responsabilidades.

Eu e o Júlio éramos ainda bem novinhos. Eu tinha pouco tempo na Obra, mas o Júlio estava há mais tempo do que eu. Mas mesmo assim tínhamos que aprender a conciliar as coisas.

Era bem novinha de casada, tinha apenas 3 anos, quando fui para Nova York. E preocupava-me muito quanto ao Júlio alimentar-se bem, porque ele e todos os demais trabalham intensamente, acordam às 6h e saem às 7h de casa, para estarem às 8h ou 9h da manhã na Igreja, e ficam até às 22h ou 23h.

A minha mãe foi a minha referência de como deveríamos cuidar de quem está sob a nossa responsabilidade. No caso, só tinha o Júlio.

Então sempre “esquentava” a marmita todas as vezes que estava com o Júlio na igreja, no caso o almoço, e muitas vezes o Júlio reclamava da comida que trazia de casa, e um dia específico ele reclamou da carne, que estava dura, etc.

E eu insistia para ele comer mesmo assim, pois a vida na Obra de Deus não nos permitia comer comida fresquinha, e muitas vezes a condição é “marmita”.

Você sabe, todo o homem casado quer a comida perfeita, gostosinha, porque como ele tem esposa, tem direito de exigir. Naquela altura não entendia, achava que o Júlio estava de “frescura” com a comida e às vezes eu chegava a chorar para ele comer.

Parece um filme!

A mesma cena que a minha mãe tinha comigo e com a Cris! Eu e a Cris éramos “ruinzinhas” para comer. Tudo era motivo de não querermos comer.

E um dia o Bispo Renato viu-me a insistir, e o Júlio muito zangado reagiu áspero com a comida; deixou tudo no prato.

O Bispo Renato Maduro teve uma viagem e referiu ao meu pai o tratamento do Júlio comigo. À vista do Bispo Renato, o Júlio estava me maltratando. Mas não era o caso. Eu é que era muito insistente para ele aceitar o que tínhamos naquele momento.

Enfim, recebo uma ligação do meu pai, durante essa viagem missionária do Bispo, chamando-me à atenção: “Viviane, presta bem atenção! Nenhum homem gosta que a mulher fique insistindo. Pare de ser boba! Pare de ficar em cima dele para comer! Deixa ele virar-se sozinho!
Olha, o Bispo Renato vai chegar aí, e vai acabar com o Júlio.”

Nunca o meu pai me havia ligado para dizer o que aconteceria. Mas nesse caso, sim.

E eu sabendo que viria aí um “terremoto” comecei a fazer um propósito com Deus.

Falei com Deus (+ ou – assim): “Deus, eu já não aguento mais ficar sendo chamada à atenção, sempre tem alguma coisa nos perseguindo! Será possível?! Agora o Senhor vai ouvir. Vai ouvir o que eu tenho a falar com o Senhor. Olha, eu vou ler em voz alta para o Senhor Se lembrar das Suas palavras. Vou ler todos os dias: Porque a mim se apegou com amor eu o livrarei…

Agora o problema é do Senhor!

Não quero nem saber o que tem que acontecer, o problema é Seu!”

Falei com toda a convicção. Sabia que estava a tentar levar uma vida Santa diante de Deus, servindo da forma que via ser a melhor. Sempre guardando o meu coração, os meus olhos, etc. “Como ficar vivendo uma vida aonde o Júlio está sempre sendo chamado à atenção? O Senhor vai ter que me livrar dessa situação.”

Enfim, fiz esse tipo de oração todos os dias, lendo a Palavra de Deus para Ele ouvir a minha cobrança.

O Bispo Renato voltou de viagem, e estava “bravo” com o Júlio. Doido para chamar à atenção. E na primeira reunião de pastores depois da chegada dele, ele fala escancaradamente…

“Júlio, eu vim aqui para acabar com você! Mas eu não consigo! Só me vem à mente o que a Viviane me comentou a seu respeito!”

Ele perguntou-me algo antes de viajar e antes da ligação do meu pai. Já nem me lembro o quê. Nem sabia o que se passava na cabeça dele.

Nunca na história da Igreja Universal, eu vi um acontecimento onde o bispo vem determinado para uma coisa, e diz que não o consegue fazer!

Quando eu ouvi o Bispo mencionar isso, eu levantei a mão, para ver se eu tinha espaço para falar, e ele pergunta-me: “O quê Viviane?”

Eu disse: “Eu sei porquê o senhor não consegue “acabar” com o Júlio! Eu pedi a Deus para Ele me livrar. E Ele está fazendo!” O bispo, acho que ficou sem entender, e continuou a reunião.

Essa foi uma experiência marcante da fé.
Quando se crê, cumpre, obedece.
E se obedece, tem direito de cobrar o cumprimento das promessas.

E Deus ama esse tipo de sinceridade, porque Ele vê em nós crença!!

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