Voltando ao Passado – 22ª Parte : Insistência

diario221A ideia ou a inspiração estava no ar, mas todos os pastores são livres em atender ou não a uma ideia inspirada.

No caso do Júlio, como falei no diário anterior, ele estava decidido em não adotar. Com 2 meses de casados, ele havia optado por fazer vasectomia justamente para dedicar totalmente a sua vida a Deus. Ele tinha largado o sonho pessoal de ter vários filhos para ter filhos da fé. A visão dele não havia mudado, porque quando se tem objetivo em servir a Deus no altar, não está ligado a nenhum desejo pessoal, mas em servir, servir e servir a Deus.

E dá para entender que quando se tem um objetivo em relação a algo, sacrifica-se em prol do mesmo sem nenhum ressentimento pelo que ficou para trás ou deixou de ter. É o tal sacrifício vivo. Renuncia tudo em prol do serviço à Obra de Deus, todos os dias da sua vida.

O seu objetivo dava-lhe convicção do que ele queria. Não o fazia ser levado pela ideia de um ou de outro. Estava bem firmado. Não era fraco. Não tinha dúvida.

Já morávamos distantes da igreja e ter mais uma responsabilidade não seria viável para o serviço da Obra.

Então o Júlio estava mesmo decidido em não adotar nenhuma criança. Ele dizia: “Nem que um anjo desça do céu e diga para eu adotar uma criança, eu vou adotar!”

E aqui surge na minha cabeça de menina.

“Como assim? Você não vai se submeter à ideia do Espírito Santo? Como pode mimiu, você não querer obedecer? Como?”; “Isso não é ser humilde!”; “Quem serve, simplesmente serve e obedece sem resistência.”

Todas as minhas palavras estavam realmente certas, mas com um pequeno problema por detrás, algo bem sutil, que eu na altura não via. Era a minha insistência em convencê-lo.

Essa tal insistência estava me fazendo até mesmo impôr a minha fé a ele. O meu espírito, não o Espírito Santo, estava ansioso. Queria porque queria que tudo acontecesse da forma mais natural, que minhas palavras convencessem e ele as aceitasse.

Você sabe que o nosso espírito fala?
Sim. Os pensamentos que estão rodando na nossa mente “falam” e passam o espírito (ansiedade, preocupação, imposição e etc.) em que estou a viver.

De tanto eu falar, ele disse: “Tá bem! Vou obedecer. Não vou resistir.”

Ele realmente aceitou devido ao objetivo dele. Servir. E se tinha que mudar a cabeça dele, ele se sujeitaria em prol, não do seu prazer, mas para honrar a Deus com a sua vida.

Realmente a ansiedade convence muitas das vezes, mas não traz paz no momento. Traz “paz” à sua intenção por ter alcançado o que tanto queria.

E então anunciei aos meus pais que o Júlio aceitaria a proposta de adotar.

Surgiu entre algumas fotos que a minha mãe tinha trazido do lar das crianças, uma menininha que chamou a minha atenção. O nome dela era Vera.

Na mesma hora que vi a foto dela, deu um “click” de que era ela. Ela tinha 4 anos na altura e todas as características que eu buscava em uma filha, alguém parecida com o pai: Cabelinho preto e uma sobrancelha grossa.

Entretanto fiquei sabendo que ela tem um irmãozinho.
E só de saber, já me deu aquele carinho por ele também. E lá estou eu com outro trabalho de convencer o Júlio.

“Mas não era só uma criança?” O Júlio pergunta.
“É Júlio! Mas ela tem um irmãozinho. Deixa Júlio, por favor.”

De novo, com muita insistência, consegui convencer o Júlio. E o meu pai, que só pensa em almas, deu-nos todo o apoio para adotarmos mais um.

Todo o “mundo” ficava preocupado em serem 2 crianças ao invés de uma. E eu segura que tudo daria um jeito de aprender. Em outras palavras, eu estava segura porque Deus sempre me fez ter segurança em meio aos desafios, mas ainda não sabia depender de Deus quando não conseguia as coisas do meu jeito.

No caso de confiar em que Deus tocaria no Júlio em relação à adoção, eu insistia para fazer o trabalho que “eu achava”, no meu íntimo, que Deus não faria.

Mas a parte que me interessava, do desafio e da conquista, nessa eu estava segura que aprenderia a tomar conta dos dois. Revelando assim ainda uma fé infantil. Sabe conquistar, mas não sabe esperar na revelação de Deus para o Júlio.

Nessa altura ainda nem me havia apercebido da minha falha em convencer o Júlio. Lá na frente vocês vão entender onde quero chegar, com a falha que cometi aqui.

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