Voltando ao Passado – 28ª Parte

fotos-d-viviane_53-768x302Eu era uma menina, sendo “mãe”.

Quando o Júlio dava toda a atenção para os meninos aos sábados, houve vezes que eu fiz mesmo papel de criança. Até acho engraçado quando me lembro.

Eu ia para um lugar aonde ninguém poderia me encontrar, só para chorar de ciúmes. Não pelo Júlio dar atenção às crianças, mas é que tardava tanto tempo, e antes ele era só meu. Aliás “meu” e da Obra de Deus. E antes, quando tínhamos esse tempo no sábado, a atenção era toda voltada a nós dois.

O Luís tinha 4 anos e a Vera 5 anos.
Eles já eram “grandinhos” e eu não tive tempo de crescer com eles, para aprender a dividir. Então, eu tinha as minhas reações de criança mesmo.

Um dia que me lembro, fiz um papel bem ridículo, quando fui no closet dos meus pais e entrei onde estavam as camisas do meu pai. É claro que os meus pais não estavam em casa, certamente em uma das viagens missionárias. Entrei no meio das camisas dele, e me sentei, puxando as minhas pernas bem próximas a mim. Pose mesmo de uma criança quando aborrecida.

Fiquei ali por algum tempo e o Júlio foi à minha caça, por eu não estar mais entre eles. Até que me encontrou, bem debaixo das camisas do meu pai. E disse: “Que coisa feia! Olhe para você! Você parece uma criança!”

Fiquei tão sem graça. Meu rosto estava todo vermelho de chorar. Queria dizer que eu tinha a minha razão, mas as palavras que ele colocou me fizeram ver a mim própria.

Assim eu ia aprendendo diante das dificuldades. Errando, mas tentando acertar de algum jeito. Não sabia que eu estava errada, na minha consciência, eu estava certa, porque eu só tinha aquele dia com o Júlio. E eu queria o direito que ele me desse mais atenção. Já que durante toda a semana, eu tive que ficar distante dele para educar as crianças.

Entretanto, o Júlio era um ótimo pai também. Eu admirava a atenção que ele lhes dava. E eles o amavam muito. O Luís, era todo do pai.

Eu comprava roupas bem parecidas com as do pai.
Ele era magrinho e levinho de se pegar. Mas muito gostosinho de cuidar.
Ele era mais zeloso com as roupas dele do que a Vera.
Ele usava calça, camisa e suspensório.

E quando estava vestido assim, queria ficar em pé ao lado da parede nas reuniões. Queria ser visto como obreirinho na igreja.

E eu lhe dizia: “Quem faz coisa feia, não pode ser obreirinho ainda!” E ele emburrava a cara, deixava cair os braços e dizia: “Ah mamãe!”, bem zangado.

Tudo que eu queria dele, era que aprendesse a valorizar a obedecer.
Não o incentivava a ser obreirinho, quando ele vivia fazendo coisa feia em casa. Se ele obedecesse, ele ia poder até ser um “obreirinho”, no caso, ficar em pé nas reuniões como fazem os obreiros.

O Luís era doido pelo Júlio. Quando tínhamos que voltar para casa, eu estava em um carro e o Júlio no outro, já que onde vivíamos, era muito distante e não tinha outro meio de chegar lá se não fosse de carro. O Luís sempre chorava que queria ir com o papai.

Eu ficava muito zangada! Ficava zangada de vê-lo dar preferência ao pai, ao invés de a mim. Outro ciuminho meu!

Interessante. De um lado agia como alguém sábia e do outro, era bem infantil. Isso era devido coisas que existiam em mim e que eu ainda não tinha visto como um problema, mas como um defesa dos meus direitos. Tinha muitas coisas a aprender ainda….

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