Voltando ao Passado – 2ª parte


casamentoApós alguns meses de casada, fui morar em outro país – Portugal.
Cheguei com apenas 17 anos de idade, casada e fui viver com os meus pais que vieram para Portugal após mim.

Recém-casada, ainda muito insegura e ciumenta. Não sabia o quanto eram graves os ciúmes que tinha. E eram por coisas “bobas“.

Estava apaixonadíssima pelo Júlio. E qualquer lugar para onde ele olhasse, poderia ser uma ameaça para mim.

Faz-me pena até de lembrar o quanto o Júlio sofreu devido a esses ciúmes.

Eu que era e sou a filha do Bispo Macedo, aparentemente não teria nenhum problema. Mas estava cheia de raízes de insegurança.

Os pensamentos vinham à minha cabeça e eu aceitava-os e vivia um verdadeiro inferno. O pior é que não ficavam só comigo, mas trazia esse inferno para quem eu amava.

Mas porquê?

Eu era magrinha. Pesava 43 quilos. Sempre ouvia todos dizerem que eu era magra. E queria engordar. Até já tinha feito o meu pedido a Deus para engordar 10 quilos.

A minha irmã sempre dizia que as pernas mais torneadas eram as mais bonitas. E as minhas eram tipo um “caniço”.

Eu olhava para os meus braços, eram finos que pareciam ser mais longos do que além da conta.

E a sociedade dizia, e até hoje diz, qual o perfil do corpo ideal para a mulher.

Sob o meu ponto de vista, o meu corpo tinha as suas partes bonitas e outras das quais tinha vergonha.

Incrível como o conceito das pessoas começa a influenciar a jovem. Ainda que não no momento, mas aqueles conceitos ficam guardados dentro dela. E era o meu caso. Tudo o que eu ouvia dizer de mim, estava guardado. E tudo o que eu ouvia dizer que era bonito, era o que eu buscava em mim.

E quando não tinha, já era um motivo para dizer que não era boa o suficiente para o Júlio.

Várias vezes me “emburrava” com o Júlio. Ficava zangada com ele, porque todos os ciúmes tinham uma suposta razão. Mas a “razão” era a forma como eu o via, e julgava de acordo com a minha insegurança.

Coitado dele. Várias vezes à noite, quando nós estávamos sós, eu falava dos ciúmes que me atribulavam. O Júlio sempre me explicava que não tinha nada a ver. E realmente, no final da conversa, eu sentia-me péssima diante daquele momento que o perturbei com os meus ciúmes.

O Júlio ficava tão triste. Tão decepcionado. Tão angustiado.
Acho que ele pensava que casando com a Viviane (filha do Bispo Macedo) teria apenas uma auxiliadora para ganhar almas.

Mas não foi assim.
Eu era imatura. Carregava marcas do passado que nem sabia que tinha guardado. E sempre nos voltávamos a reconciliar. Era uma ordem que eu tinha na minha cabeça. Pois não podia dormir com problemas dentro de mim; se o Senhor Jesus voltasse naquela noite, eu não poderia ficar.

Eu sabia o quanto aqueles ciúmes me faziam distantes de Deus. Ainda que eu lesse a Bíblia, meditasse, sempre tirava alguma lição mas era tudo mais na consciência do que propriamente na prática.

Aquelas cenas de ciúmes repetiam-se várias vezes, e novamente sempre levava ao Júlio para ele resolver. Pois tinha a consciência que como ele e eu éramos uma só carne, ele não poderia ter problemas comigo, sem resolver, pois o trabalho das suas mãos não funcionaria.

Lembro-me como se fosse hoje: Ele dizia-me:

Veja bem mimiu, eu não tenho problemas. O problema é seu. Eu não tenho que resolver nada. Pois já lhe disse que não há razão de sentir ciúmes. Eu te amo. Você é que vê as coisas desse jeito.

Enquanto procurava o Júlio para dizer as minhas razões de ciúmes, na verdade eu queria que ele mudasse e não eu. Em algumas horas ele fazia-me entender que estava errada, mas outras horas, no momento em que tinha ciúmes, eu sentia todas as minhas razões dando-me força para defender o meu ponto de vista.

Aí já imagina! Eu falava de forma em que supostamente tinha autoridade, e com a “certeza” de que estava certa, e ele ficava muito chateado.

Eu nem sequer queria falar a ninguém. Pois se comentasse tinha receio que me dissessem que eu era endemoninhada.

Além desses problemas que eu causava ao Júlio, eu tinha outros. Em Portugal eu era a esposa mais nova. Cheguei a Portugal em 1992. E não tinha nenhuma amiga. Era horrível, porque sempre tinha facilidade em fazer amigas na igreja. Mas em Portugal era diferente na altura. Não sei se as esposas tinham algum receio de se aproximar por eu ser a filha do Bispo Macedo.

Além de morar na casa dos meus pais, eu não contava com eles.

Sentia-me frustrada, porque deveria honrar aos meus pais, mas desonrava-os.

E Deus? Com Deus a agonia era pior.

Não sabia o que fazer diante daquela situação. Só pedia a Deus: “ajuda-me“. E dizia a mim mesma: Se o Senhor voltar e eu tiver ciúmes eu vou ficar.

Um dia eu resolvi acertar os meus problemas internos com Deus. Escolhi um dia em que todos fossem para a vigília, para que então tivesse a oportunidade de colocar tudo para fora. E ali naquele dia eu coloquei no meu walkman uma “fita cassete” de uma reunião que tinha tido no Brasil, e comecei a orar.

E ao orar eu chorava tão aflita, sentia a minha alma tão perdida de tantas falhas que estava a encontrar em mim, que chorava desesperadamente. Falava com Deus sem receio que alguém me pudesse ouvir. E clamava, pedindo socorro!

Chorava desse jeito porque prezava pela minha salvação. Não era para interceder, pedindo que alguém mudasse ou o Júlio, pois eu sabia que a minha alma estava em jogo.

Até que de repente… alguém me tocou nas costas (pois eu estava de joelhos em cima da cama). E, imediatamente, eu pensei: “Oh oh! Eu estou a ser quem eu sou, e tem alguém a ouvir este meu desespero!” Quando fui atender, era a minha mãe.

Ela disse-me: “O que houve, minha filha? O Júlio te bateu?”

Na mesma hora eu queria responder, mas o meu fôlego estava sem controle de respirar e muito menos de falar. E a minha cabeça abanava dizendo que não, e os meus pensamentos dizendo: “Oh Deus, ela não sabe que sou eu o problema.” E chorava muito.

Ela abraçou-me e chegou o meu pai a dizer: “O que houve?
Pare de chorar e fale comigo, Viviane!”

Eu queria parar mas estava descontrolada, soluçava de tanta dor pela minha alma.

E ele gritou: “Pare de chorar! Eu estou mandando!”
Recuperei o fôlego e disse: “Pai, eu já nem sinto o Espírito Santo.”

Não sabia nem como explicar a situação complicada em que vivia.

E ele disse-me: “Quem disse que tem que sentir?”

E eu dizia a mim mesma nos meus pensamentos: “Ah pai, você não sabe a gravidade de quem eu tenho sido, sou ciumenta e só levo problemas para o Júlio.”

Naquele dia eu parei de chorar. Parti para um processo a fim de me libertar dessa “coisa” tão terrível que tinha dentro de mim.

E é incrível, que antes de casar, a minha mãe dizia-me que eu era ciumenta, mas eu não considerava um problema meu, e sim daqueles que me faziam ciúmes. Por isso é que nunca tinha lutado contra aquilo com forças, porque via como um problema dos outros e não meu.

Siga o meu diário para descobrir mais de mim e como fui vencendo os meus dramas.

Viviane Freitas

Deixe o seu comentário

Ou preencha o formulário abaixo.

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *