Voltando ao Passado – 32ª Parte

verinhadiario32-1900x748A altura em que estava tendo esses problemas com a situação dos “meus” filhos, foi nos primeiros meses, do primeiro ano, com eles.

E nesta altura, que citei no diário anterior, o Luís ainda não estudava. Só a Vera.

Como estava desenvolvendo a minha fé durante aqueles momentos dificílimos, a fé começou a ter ações da minha parte. Comecei a viver a fé e fui inspirada a ir à escola da Vera, pelo menos para vê-la de longe.

Então, fui à escola dela na hora do recreio. E fui bem disfarçada para ela não me identificar porque eu estava proibida de ter contato com eles.

Eu fui de chapéu e de óculos escuros.
E bem na hora do recreio, consegui ver a menininha de cabelos pretos bem entre as outras crianças.

Fui sem planos pessoais, senão apenas vê-la de longe.
E no momento que vi a Verinha, o meu coração começa a saltar de alegria. Mas ela estava tão distante. Então pedi a Deus: “Deus, faça a Verinha vir mais para este lado, para poder ver de forma mais nítida o rostinho dela.” E de repente, o que acontece? A Vera vem ao meu encontro.

O meu coração começou a saltar de medo e receio: “Oh Meu Deus! E agora? Ela está vindo! O que eu faço?”

A Vera estava no Jardim de Infância naquela altura. E como vocês sabem, existe uma cerca à volta do parquinho onde as crianças brincam, na hora do recreio. Ela veio até à cerca que nos separava e veio falar comigo. A Vera falou “Hi!” e sorriu. A meu ver, ela se apercebeu de mim, então eu comecei a falar em lágrimas: ”Verinha!” E foi então que ela viu que era eu, arregalou os olhos e disse: “Mamãe!”

Nós estávamos já, creio eu, há 1 mês sem nos vermos, e então, naquele exato momento, quando ela me chamou de mamãe, ela colocou a sua mãozinha na cerca para poder tocar na minha, e eu também tentei tocar nas mãos dela, mas a cerca era bem grossa. Estávamos tão felizes de nos vermos e, em lágrimas, as duas ficámos ali, contemplando uma à outra.

E eu falei: “Filha, por favor, não fale que você me viu. Me proibiram de te ver!” E então ela falou: “Mamãe falaram que você não é minha mãe, que vocês não existem…”

Dava para ver o desespero e a agonia da Vera em saber que nós não existíamos na vida dela.
As lágrimas rolavam… Até que eu tive a ideia de entrar pelo portão para poder abraça-la. Mas incrivelmente, as outras crianças que estavam brincando, a maioria delas vieram e nos rodearam. Nós duas ali abraçadinhas, não queríamos ninguém por perto. Só mesmo nós duas sabíamos o quanto precisávamos daquele espaço tão valioso.

Entretanto, falei às crianças para nos deixarem a sós, e a gente se abraçava e beijava. Assim foi a outra cena dolorosa que vivi. Parecia cena de um filme, o momento em que nos tentávamos aproximar.

Então falei para a Vera guardar segredo e não comentar com ninguém. E assim foi, na semana seguinte apareci de novo, mas com um coelhinho de pelúcia. Eu disse: “Vera, você vai levar este coelhinho e vai dizer que foi uma amiga que lhe deu. Não fale mais nada.”

Depois disso, os meus dias foram ainda melhores. Obviamente que Deus nos proporcionou aquele momento juntas. Pois eu não fui lá para desobedecer, mas pelo menos vê-la, e Deus me brindou com um momento marcante.

Certamente esta cena marcou a minha vida. Almejar essas duas criancinhas, como nenhuma outra para substituir… para além da dor de vê-los tão pequeninos passarem por situações tão complicadas. Deus sabia de tudo.

Certamente o que era para dar errado deu certo, porque não houve aqui algum interesse pessoal e sim interesse pela alma deles. Olhando e visando a alma deles. Mas… tudo teve o seu processo, que só mais tarde começámos a entender melhor.

Não duvide, por mais dura que seja a sua dor. Não olhe para as circunstâncias, porque as circunstâncias fazem-na de vítima, e por mais vítima que seja, isso não a ajuda, porque não há fé.

Fé é certeza. E foi pela fé que então tive a oportunidade de ultrapassar momentos difíceis.

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