Voltando ao Passado – 33ª Parte

bjfvbf-1-1900x748Sabe… quando estamos à espera de algo, o tempo não passa, não é verdade? Assim eram os meus dias à espera dos meus filhos.

Durante este período de espera, sem qualquer data ou previsão de quando os veria novamente, eu aprendi muitas coisas. Muitas coisas mesmo.

A menina que me ajudava a cuidar deles era uma obreira. E ela foi juntamente com as crianças para a casa da responsável. E uma vez lá, aquela menina obreira começou a “virar a cabeça”. Ficou contra mim, de tal forma que não queria mais trabalhar comigo.

Muita coisa era dita contra mim. Sinceramente nem me lembro que coisas eram essas. Mas certamente aquilo não foi um caso à toa, para eu não levar a sério, mas para buscar ajuda em Deus.

Procurei o bispo daquele lugar e falei tudo. O bispo me falou que não tinha nada de problema em mim, e sim na “obreira”. Mas dentro de mim, eu não aceitei a forma de alguém ter essa ousadia de falar de mim. Afinal, o que eu estava apresentando que daria essa audácia para ela falar daquele jeito? De certa forma, eu também não me achei perfeita, mas falha.

Falei com o Júlio, e disse para ele me batizar. E assim foi, na piscina, me batizei. Assumindo a minha forma de pecadora. Fui com o intuito mesmo de me redimir dos meus pecados. Pois, por mais errada que a outra, a obreira, estivesse, não era suficiente para tapar o meu erro.

Verdadeiramente, eu não estava olhando para o erro dela, e sim para o meu.

Por conta desta atitude, a empregada que me viu fazer isso também se quis batizar nas águas.

Eu, de forma sincera, buscava a Deus com sede. Nesta altura também vi um certo egoísmo da minha parte. Quando as crianças foram para a casa da responsável, eu não quis enviar as melhores roupas deles para lá, que por fim eu zelava e cuidava com tanto carinho, pois afinal foi comprada com o nosso sangue. E o meu receio era que eles não zelassem e também esquecessem a “mãe” deles.

Por tal atitude, de não enviar as roupas deles, um grande problema surgiu. Lembro-me exatamente do dia em que a minha mãezinha conversou comigo a respeito:

“Filha, não seja assim. Dê o que lhe pedem. Não seja egoísta!”

Sabe, aquelas palavras da minha mãe me tocaram profundamente. A tal ponto, que escrevi uma carta à responsável e enviei pelo correio, juntamente com um ramo de flores, pedindo desculpas.

Mandei todas as roupas guardadas das crianças, para eles.

E fui entendendo que diante de uma dor, a nossa própria defesa nos faz agir de forma carnal.

Não é à toa que Jesus disse:

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.” (Mt.5: 39-42)
Eu tinha tanto que aprender, meu Deus!

As minhas defesas eram um sinal de egoísmo. Por isso é que entendo agora este versículo. Quando estamos sendo “bombardeados” e nos sentimos “injustiçados”, acabamos por apreciar o sentimento que nos deixa agir de forma tão imatura e tão vergonhosa.

Essas falhas que eu ia encontrando, ao longo desse meu caminho, iam-me fazendo chegar a Deus de uma forma muito especial.

A minha mãe não falou muito, mas o espírito que tinha por detrás daquelas palavras, era vida para a minha carne mortal.

Veja o papel importante que podemos fazer na vida do próximo. O papel da minha mãe, foi fundamental. Além das palavras que ela me disse, ela vivia assim. Dava sem esperar nada em troca.

Por detrás desta história, há homens e mulheres de Deus que me formaram. E sou muito grata por isso.

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