Voltando ao Passado – 35ª Parte

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Finalmente os “bebês” voltaram a ter acesso a nós novamente. Depois de tanta luta, de tantas marcas de dor, tudo o que restou dentro de mim foram as memórias desta época.

Na vez em que cheguei, após deixa-los na casa da responsável, eu chorava sem parar, me faltava ar para respirar. Lembro que antes de falar com o meu pai, eu havia tentado falar com Deus através da oração, fazendo uma cena bem marcante para mim: Com o desespero, buscava pelo menos tocar em algo que me desse um refúgio. Então, fui no closet do meu pai, agarrei a camisa dele, pus diante de mim e segurei nas manga da camisa, como se eu estivesse de mãos dadas com ele. E ali, em lágrimas, pedi a misericórdia de Deus para atender à minha súplica. Sabendo que eu não era nada, usava o poder da oração que o meu pai fez por mim no dia em que me casei com o Júlio.

Falei com Deus as palavras que o meu pai havia proferido naquela oração. Ele, em lágrimas, disse: “Pai, quando a minha filha estiver passando por dificuldade, lembra-te desta oração…”. E ali as suas palavras foram cortadas através da súplica que ele fez em meu favor.

Parecia que o meu pai sabia o que eu iria passar.
E usando aquelas palavras que o meu pai tinha dito a Deus, eu pedi-Lhe que atendesse à súplica do Seu servo.

Eu lembro-me também que uma música marcou as nossas dores, pois falava muito connosco. E o Júlio cantava na igreja em que estávamos. A canção era:

[cue id=”92118″]

Hoje eu estou tão em paz comigo
Parece até que não faz sentido
O que eu tenho chorado
O que eu tenho sofrido
Hoje eu olhei o céu da minha janela
Ví no meu coração a presença tão bela
De Jesus sorrindo e dizendo pra mim
Vem, deposita em minhas mãos
Todos os seus problemas
Levante esse olhar, não chore, não tema
Não perca essa fé, que você tem em mim
Quem vem a mim
Se alimenta do pão da vida
Quem segue os meus passos
Não sente as feridas
Tem a paz que eu dou é feliz enfim
Senhor perdoais meus pecados
Me aceita a seu lado
Me deixa tocar o seu manto sagrado
E a graça que eu peço
Terei na sua luz
Senhor, quem sou eu para que entreis
Em minha morada
Mais um fio de sua luz
Numa telha quebrada
Ilumina uma vida pra sempre Jesus
Jesus salvador, Jesus salvador
Jesus salvador, Jesus Salvador

A letra penetrava e dizia tanto ao meu ser.
Era o Deus que eu tinha.
Era Ele o único que podia dar esta paz.
Era Ele que me fazia viver a cada dia.

Eu chorava muito nesta música.
E somente eu e o Júlio sabíamos o que estávamos passando.
Mas mesmo assim, não vi o meu marido desanimado.
Não vi o meu marido concentrado nos nossos problemas. Mas vi um homem de Deus.

Mesmo diante das nossas lutas internas, lá estava ele dando a vida ao povo amado de Deus.

E vou dizer de forma bem sincera: O Altar salva a nossa vida.
É no Altar que aprendemos a dar, mesmo quando precisamos receber. É ali que aprendemos a ficar na total dependência.

No Altar temos acesso a ouvir os problemas das pessoas. É por viver inteiramente para esta Obra, que sentimos a dor do povo. E através deles, somos inspirados a usar a fé, a dar vida, etc. E isso nos mantém vivos.

O meu marido era mais forte que eu. Pelo menos era assim que eu via. Pois os seus pensamentos estavam voltados para aquele povo.

Os meus pensamentos eram uma luta diária. Afinal, não estava ativa com o povo, porque a função da mulher naquela época era mais atender a necessidade da casa e das atividades físicas da igreja. Então, era mais difícil para mim manter-me no Espírito. Mas, com a dor, não tinha como correr das lembranças deles, pois afinal estava vivendo na casa aonde eles haviam morado connosco. E tudo gritava para viver na emoção. Mas o meu espírito buscava incessantemente o alívio de viver na fé. E assim a fui exercitando, por meio das dores.

Valeu a pena! Tudo o que passei!
Porque construiu algo que ninguém poderia fazer dentro do meu ser. Nem o próprio conhecimento poderia me fornecer. Diante de toda a dor, aprendi tanta coisa, que eu só tenho que agradecer por tudo.

Em vez de murmurar, como muitos fazem diante da dor, eu buscava a Deus com mais verdade, não para ter algo segundo a minha intenção, mas por tudo aquilo que Ele me fornecia.

O meu louvor, a minha apreciação a Deus era mais forte do que antes.

Obrigada Deus. O Senhor não me desamparou. Pelo contrário, fui amparada. E tive este privilégio de ter esta experiência única.

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