Voltando ao Passado – 36ª Parte

 

diario36parteA Vera e o Luís estavam novamente felizes. É claro, com toda esta situação, eles aprenderam a valorizar muito mais os pais, do que antes.

Eu lembro-me de uma situação que marcou a mim e à minha mãe. Um dia a Verinha viu a mulher que ficava com ela no período em que estávamos separados, a mulher estava um tanto distante, e a Vera começou a mostrar um certo medo dela os levar.
A Vera ficou apavorada quando viu a mulher. Entrou em desespero, e falou: “Mamãe, vovó… Não deixa ela nos levar.”

A Vera era a maiorzinha, e sempre era a quem eu tinha maior acesso. Era com ela que eu conversava mais. Ela me dava toda a atenção, o que me fazia ficar ainda mais “apaixonada” por ela. Eu ensinava-a a orar e a pedir a Deus para que os “papéis” deles fossem resolvidos.

Ela era muito linda mesmo! Aliás, ainda é!
Aprendeu a orar, a prestar atenção na reunião, de forma que sabia às vezes até as respostas das perguntas que o Júlio fazia na reunião. Engraçado que eu ainda estava avaliando qual seria a resposta, e a Verinha já dizia de antemão.

Ela fazia-me sentir muito orgulhosa dela; absorvia todos os ensinamentos. Ela realmente valorizava.

Participava das reuniões de forma tão natural, que às vezes até “atrapalhava”, porque ela realmente orava a Deus. Colocava as mãozinhas no coração e orava bem alto, de olhos fechados, dizendo as palavras que eu havia ensinado: “Deus, limpa o meu coração. Não deixa o meu coração ficar sujo. Me ensina a obedecer. Eu não quero fazer coisa feia, Deus.” Ela orava mais ou menos assim.

A esposa que tinha acabado de chegar à Califórnia, ficou impressionada com a participação dela na reunião. Mas com o tempo, a Verinha foi vendo a filha dessa esposa, que não orava como ela, e se tornou “engraçado” para as pessoas porque ela era uma criança. Então vi, pouco a pouco, a Verinha se desviando do meu objetivo.

Foi tendo amizade com a filhinha da esposa, que também era uma criancinha, mas que não tinha o mesmo comportamento da Vera. E aos poucos fui vendo a Verinha se “deliciando” na amizade e deixando de acatar com mais precisão a parte de orar na igreja.

Tudo isso era bem assistido por mim. Então eu guardava-o como algo que eu tinha que fazer: trabalhar com a Verinha.

Enquanto a Verinha não tinha uma amiguinha, ela era toda “minha”, e assim facilmente eu a influenciava. Mas quando chegava alguma amiguinha, a amiga fazia-a outra pessoa, não por maldade, mas porque a menininha era uma criança e também não se interessava pelas coisas dos adultos.

Como morávamos distante, essa amiguinha dela só a via na igreja, durante a reunião ou depois. E dali, eu ia perdendo o meu espaço sagrado com ela. Mas como a Verinha era uma criança, sabia que ela tinha que ter amiguinhas também. Então não sabia o que fazer, senão assistir e esperar o momento oportuno de trabalhar nela.

Já o Luisinho, também era lindo.
Não participava tanto na igreja como a Verinha, gostava de conversar muito e de brincar. Era o tempo todo brincadeira para ele. Ele tinha um amiguinho também, mas o Luís era bem menininho. Não o via muito ser influenciado; vivia mais no mundinho dele.

Dava para ver a diferença entre os dois. O Luís era o mais novinho e mais imaturo. A Verinha, a maiorzinha e mais responsável, mas também a mais influenciada.

O meu objetivo com a Verinha e o Luisinho era ser uma mãe bem próxima dos dois, para que eles tivessem acesso a mim, e assim poderia ajudá-los em todo e qualquer momento.

Eu chegava a brincar com a Verinha, de pequenininha.
Havia certas vezes que ela encontrava com outros filhos de pastores, um dos quais ela achava engraçadinho, ou melhor, bonitinho. Normalmente ela ficava com o rosto todo vermelho de vergonha quando se encontrava com ele. Logo percebi que ela estava gostando do menininho. Então depois, quando estávamos a sós, perguntava-lhe: “Verinha… Hum, você está gostando daquele menininho?” E ela ficava cheia de vergonha. E eu dizia: “Não tem problema não, filha! Só diga para a mamãe, tá?”

Queria fazer parte da vida dela, em todas as oportunidades. Não queria que tivesse distância e nem medo de falar comigo. Queria que ela encontrasse em mim essa liberdade de poder falar tudo e assim tê-la orientada e não amedrontada.

Assim me fazia próxima, para ser a melhor amiga que ela pudesse alcançar.

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