Voltando ao Passado – 3ª parte

diario_3-1900x748Eu e o Júlio estávamos sempre juntinhos.

Eu ia aos programas de Rádio com ele nas madrugadas e íamos dormir entre as 2 e as 3 horas da manhã. Nem sempre tomávamos o café da manhã, porque ainda estávamos a descansar.

Eu vivia um sonho realizado. Estava casada com um homem de Deus e estava junto com ele na Obra. Neste tempo, em Portugal, vivi na casa dos meus pais. A minha mãe tinha uma empregada que fazia os serviços de casa. Mas mesmo assim a minha mãe nunca deixou de me orientar quanto a cuidar das minhas “coisinhas”: Roupa, quarto e limpeza. Fazia todo o possível, de acordo com o que me era orientado pela minha mãe.

Tudo era maravilhoso de se viver. A experiência de acordar ao lado do meu príncipe, o facto de ir à igreja com ele, de organizar toda a igreja. Era uma coisa que estava sempre disposta a fazer. Mas não era tudo. Algo me faltava: Trabalhar nas reuniões, atender e estar envolvida com o povo.

Mas como fazer? Esposa de pastor na altura não trabalhava na reunião.

Até que procurei algumas formas para me manter em atividade: Fazia reuniões com as obreiras de São João do Estoril. Depois comecei a fazer algumas reuniões com o povo, com a permissão do meu pai.

Mas ainda estava algo a faltar.

Sentia-me ainda muito inútil perante o que queria fazer. Eu lembrava-me sempre dos meus dias de obreira, o quanto chegava a casa satisfeita e exausta de trabalhar a ganhar almas. A atender, a expulsar os demônios, etc. Chegava feliz da vida! Pois realmente eu fazia aquilo que gostava e que fui chamada para fazer.

As reuniões que eu fazia tinham sempre direção. Palavra de Deus forte e etc. Mas faltava-me ainda crédito. Crédito dos ouvintes.

Porquê crédito?
Eu era uma menina de 17 anos, batizada com o Espírito Santo. Mas ainda tinha muito que trazer à existência na minha vida. Sempre amei ler a Bíblia. Sempre tirava algum proveito e sabia interpretar bem “direitinho”, e tinha espírito. Mas experiências com aquela Palavra, ainda não podia dizer que tinha.

No dia em que eu fui batizada com o Espírito Santo, aos meus 15 anos, recebi uma força no meu interior que me fez sentir “toda poderosa”. Eu não via problemas pela frente que me poderiam barrar. Havia uma certeza, amor, paz e alegria tão imensa, que parecia que nunca enfrentaria nenhuma dificuldade na vida. Tudo eu iria saber ultrapassar de forma bem natural.

Mas não foi o caso.

A Palavra de Deus ainda se faria existente dentro de mim por intermédio das provas, nos desertos, etc.

Eu tentava encontrar alguma forma de servir melhor do que quando eu era obreira, buscava alguma forma de evangelizar. Mas na Europa as coisas não eram como no Brasil, país onde iniciei na evangelização.

Não podia sair dando folhetos. Mas a minha vontade era de dar o folheto e falar bem alto para todos prestarem atenção em mim, e ali começar a falar da “Grande Oportunidade”. Mas era ilegal, e até hoje é.

Sempre estava à “caça” de servir a Deus. Não me conformava por simplesmente estar casada com um pastor, pois eu queria fazer mesmo parte do dia-a-dia da Obra.

Quando chegava algum pastor casado para auxiliar o meu marido, eu tentava dar o meu melhor à esposa. Tentava cuidar dela na medida que eu sabia. Amava servi-la da mesma forma que a minha irmã fazia comigo.

Fiz algumas amizades em Portugal. Passei por momentos difíceis na Obra de Deus os quais vou desenvolver no próximo diário.

Viviane Freitas

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