Voltando ao Passado – 42ª Parte

vivianefreitas-600x400O estar em um Estado, melhor dizendo, numa “região”, era uma responsabilidade a mais que eu tinha.

Tinha que dividir tempo em ser mãe, esposa do Júlio e também a esposa do pastor daquela região.
Eu fazia reuniões semanalmente com as esposas. Tinha dias que dedicava à necessidade da igreja e outros dias à família e à casa.

O tempo foi passando, e o tempo nos fez conhecer melhor as pessoas. Porém, nem sempre o que está no íntimo conseguimos detectar.

E chegou o momento de “despedir” as crianças, pois tínhamos tentado de tudo para obter a guarda, mas infelizmente não nos foi concedida. Eles foram embora. Enquanto o Júlio estava no seu dia a dia na igreja, eu tive que levá-los ao aeroporto. E passar pela cena que nunca foi apagada da minha mente. Foi horrível despedir-me deles e saber que já não voltariam mais para os meus braços. E eles sem entenderem nada, foram acompanhados por uma amiga nossa que os levaria aos seus responsáveis.

Neste dia, o Luis olha para mim chorando aos prantos, desesperado, e começa a clamar: “Não mamãe! Não mamãe.” E ali, já não conseguia dizer mais nada senão deixa-los irem e as lágrimas rolarem. Não tinha mais como me fazer de forte. Ali deixei eles saberem que estava sofrendo tanto quanto eles.

Começaram a aparecer as perdas na minha vida.

Vivia na mesma igreja e na mesma casa, mas eles já não estavam mais entre nós. Passava todos os dias pelo quarto dos dois. A casa estava em um silêncio. O barulho de duas crianças brincando, rindo ou falando já não havia mais.

E tudo o que eu tinha dentro de mim, era uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que queria controlar todas as emoções que continha, tinha a responsabilidade da Obra de Deus e como esposa, que não parou.

A dor da perda não me dava muito equilíbrio nas minhas emoções. Para além disso também tinha que lidar com a dor do meu marido. Tudo estava muito difícil de lidar.

Orava, chorava, clamava e a dor estava ali caminhando comigo a todo lugar.

Ninguém sabia que não tínhamos as crianças legalizadas. Estávamos como tutores deles enquanto esperávamos algum jeito de tê-los. Porém, todo esse tempo à espera de algum jeito, aparentemente tudo em vão. Parecia que a situação estava a brincar com os nossos sentimentos.

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

Rm.8:28

Não conseguíamos entender nada do que passávamos. Mas havia uma crença na Sua Palavra. E críamos, mesmo contra aquilo que sentíamos e entendíamos.

Você deve estar perguntando: “O que cria nesta hora horrível?”
Eu cria nas promessas, mesmo sendo terrível viver a situação, sabia que Deus faria o melhor.

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