Voltando ao Passado – 4ª Parte

Uma vez aconteceu de o nosso responsável estar chateado com o Júlio. Já não me lembro qual foi a questão, mas lembro-me do caso no qual eu tive parte.D.vivi

Morávamos com os meus pais e o responsável do país, naquela altura, na mesma casa. E notei que em alguns momentos, o responsável não nos dirigia nenhuma palavra sequer. Ficou mudo. Estava muito chateado.

Aquilo estava a incomodar-me, porque fiquei sem saber o que se estava a passar. Que erro havíamos cometido para que ele nos ignorasse dessa forma?

Bom, mas quem eu era?
Apenas uma esposa de pastor, uma serva de Deus. E sabendo que somos servos, não temos direito de questionar nada, senão de obedecer.

O Júlio tinha-me orientado para não falar com ninguém. Mas aquilo estava a incomodar-me. Viver na mesma casa e ficar sem se falar.

Estava agoniada, a minha alma estava atribulada. Não sabia o que fazer.

E todas as manhãs quando acordávamos, a minha mãe com aquele sorriso lindo, dizia: “Bom dia, minha filha!” E dava-me beijinhos e abraços.
Naquele instante deu-me uma dor na alma. “Oh, sou tão amada, gostaria tanto de poder contar com a minha mãe nesta minha agonia, mas não posso.” Os meus olhos encheram-se de lágrimas, e quando a minha mãe olhou nos meus olhos viu de imediato que algo não estava bem. E perguntou: “O que houve, minha filha?” Disse: “Oh mãe, por favor não me faça essa pergunta, porque não lhe posso responder.” E ela disse: “Fale, minha filha.” Eu respondi: “O Júlio não quer que eu fale.” Então aparece o meu pai, e diz-me: “O que houve? Vem aqui, diga o que está a acontecer. Eu estou a mandar, pode falar.”

Então derramei-me em lágrimas e contei a situação que estávamos a viver com o nosso responsável. E ele ouviu e orientou-me.

No domingo à noite, o Júlio recebe uma ligação para comparecer na sede que o Bispo queria falar connosco. E o Júlio olha para mim: “Você disse alguma coisa?” Respondi: “Eu disse; perguntaram-me e eu disse.

Na verdade, eu estava aliviada. Tudo o que era de mais sagrado na minha vida, não era enfrentar o problema diante de todos, mas era defender a minha alma que estava aflita. Se eu não falasse, estaria com aquele problema dentro de mim e não iria resolver coisa nenhuma.

Ainda com o meu coração “pulando” de medo do que poderia acontecer, eu fui. O Júlio chateado de um lado, e eu, do outro lado, apreensiva.

Chegámos à sede, sentámos e expusemos todo o problema ao bispo responsável, aos meus pais e conversámos. E ali tudo ficou resolvido. Aquele problema realmente morreu.

Entendi desde então como resolver problemas. Não guardar nada que me faça ficar confusa, pois a confusão faz gerar dúvida, medo e insegurança.

Entendi que tenho de expor os problemas que não consigo resolver por mim mesma: Seja resolvendo, aprendendo e concertando. Seja falando e sendo disciplinada pelo meu ato.

Uma coisa é certa, não posso ficar com o coração pesado em relação a nada, porque isso não me pode salvar. Pelo contrário, faz-me ter maus olhos, maus pensamentos e nutre até uma ideia do diabo dentro da minha cabeça.

A coisa mais sagrada que eu tenho é a minha Salvação. Não importa a minha posição (esposa de pastor ou bispo). Eu tenho que preservar a minha salvação a qualquer custo, porque é esta que me permite ter paz, consciência tranquila e força até mesmo para batalhar.

Mas quando está manchada, fico fragilizada. Tenho dúvidas, medo, inseguranças e o diabo faz a “festa” pisando e humilhando.

É melhor ser humilde e encarar do que fugir ou ocultar com orgulho e viver um tormento dentro de si mesma.

Viviane Freitas

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