Voltando ao Passado – 6ª Parte

6parteA família toda junta era um sonho!
Todos acordávamos cedo, por volta das 5 horas da manhã, e íamos dormir por volta das 8 ou 9 horas da noite, pois o comércio e as ruas a partir das 18 horas ficavam desertos em África do Sul, na época. A última reunião era às 18 horas.

Todas as noites a família orava junta para amarrar o principado, e também falávamos de alguma passagem Bíblica. Ah que época!

Nessa altura não havia internet. Só existiam 3 canais de televisão em todo o país. Em outras palavras, não havia muita distração.

À hora do jantar e do café da manhã, era um momento que todos estavam reunidos à mesa. Ali conversávamos acerca das novidades do dia a dia da igreja e convivíamos, desfrutando de momentos familiares maravilhosos.

O Júlio estava a desenvolver no inglês e também no ministério. Fomos enviados para uma igreja chamada Mitchells Plain. E lá era outro inicio. Não conseguia ir todos os dias à igreja com ele porque tinha que dar conta de outras responsabilidades. E por causa de ser um pouco distante, quando não ia com ele, só podia ir no outro dia. Então quando terminava as minhas responsabilidades, dava um tempinho à tarde para assistir a uma novela americana. Só podia ver quando estava em casa, no caso, 2 dias da semana.

Mas muitas vezes, quando estava na igreja, ficava a pensar naquilo que poderia estar a acontecer com a novela. Estava a ficar com o meu pensamento mais voltado para essa distração, porque aparentemente as coisas estavam sob controle.

Quando comecei a dar-me conta que a novela estava a tirar a minha força de servir mais e melhor, decidi “cortá-la” da minha vida.

Para além disso, eu ficava muito “amarrada” ou na dependência de terceiros para poder resolver qualquer coisa na rua. Ficava à espera de alguém sair para eu resolver o que precisava, pois onde morávamos não havia transportes públicos.

O Júlio, aos fins da tarde de sábado, dava-me aulas de direção (condução). Mas ele não tinha muito paciência. Até que um dia, ele disse impacientemente: “Vi, você se vira, eu não vou ficar levando uma mala sem alça e com pedras ao meu lado. Você pegue o carro e se vire em aprender porque já esgotou a minha paciência!” (E ele se arrepende profundamente em ter agido assim comigo).

Na verdade, era tudo o que eu precisava ouvir dele para iniciar, na minha fé, as conquistas. Então, como não podia mais depender dele para me ensinar, aproveitei as viagens do meu pai para pegar no carro dele e começar a treinar a condução, pois o carro do meu pai era automático.

Ao começar a treinar sozinha, ia na fé. Sozinha mesma. Só eu e Deus. Ficava em espírito de oração. E assim foi… conduzia perto de casa, dava até carona (boleia) a algumas senhoras (Não é aconselhável ninguém fazer isto) que andavam a pé, para as deixar mais adiante. E assim andava em volta de casa. A cada semana, eu atrevia-me a ir a algum lugar.

Na 1ª semana que me atrevi a sair da zona de casa, fui ao shopping. Quando cheguei, tinha que estacionar o carro. Era uma “graça”, ficava em espírito de oração para Deus me dar uma vaga para colocar o carro de frente… E não é que conseguia?! Estacionava, resolvia o que tinha a resolver e voltava.

Na 2ª semana atrevi-me a ir ao mercado. E para ir ao mercado, eu tinha que descer uma serra onde a estrada era de mão dupla (dois sentidos), e a saída certa ficava exatamente na curva, onde não avistava convenientemente o carro que vinha em sentido contrário. Eu só sei que ia assim: “Jesus, Jesus, Jesus!!!!” E virava na curva. Até que cheguei ao mercado! Mas para sair de lá tinha que atravessar “mão dupla” também… outra vez pela fé. Desta vez, só ouço buzinas.

Em outras palavras, comecei a executar o que eu precisava vencer. E assim, aos poucos, fui pegando prática.

Tive que vencer os meus medos sozinha. Tomar iniciativa, ousar dirigir mesmo sem ter nenhuma prática. Eu fiz isso pela minha fé pessoal. Não aconselho ninguém a fazer o mesmo, pois dei muito trabalho aos anjos. Eu imagino os anjos passando um “radinho”, dizendo: “Cuidado com ela; ela vai cruzar a avenida, segura as pontas do outro lado…” rsrsrsrs

Veja que quando está disposta a alcançar algo, uma impaciência do marido não a faz negar ou olhar com maus olhos a situação. Pois na realidade, o que eu pretendia alcançar era o meu objetivo.

Eu nunca interpretei mal as palavras do Júlio, mas entendi que ele não queria que eu fosse “amarradinha” e dependente dele, ou de terceiros, para coisas insignificantes.

Eu tinha que vencer. Eu tinha que correr atrás. Eu tinha que aprender. Eu tinha que me submeter. E para além disso, eu tinha que trazer resposta do objetivo que queria alcançar, trazendo nas mãos deste o resultado.

Eu tenho a certeza absoluta que ele me olhou com olhos de admiração. Não apenas pela minha ousadia, mas pela fé que eu professava.

Nessas pequenas coisas, revelamos a que ponto cremos e dependemos de Deus.

Não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz:
– Dar carona a estranhos;
– Dirigir o carro sem acompanhante sendo inexperiente.

O homem ama quando a mulher resolve ao invés de lhe trazer problemas. É isso que a permite auxiliá-lo.

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