Voltando ao Passado – 7ª Parte

shopping_cart-825x325Fomos transferidos para Johannesburg, África do Sul, e enviados para morar com mais 2 casais. Um que era recém-casado, outro casado há algum tempo e que já tinha, inclusivamente, um filho de 1 ano e meio.

Cheguei a esta casa com grande expetativas de viver com outras esposas. Quando entrei na casa, vi que não havia quase nada para comer. E alegremente fui fazer as compras daquilo que estava a faltar. Antes disso, a esposa mais madura e que estava casada há algum tempo, deu-me dinheiro para comprar fraldas para o seu filho.

Chegando ao mercado, enchi 1 carro e meio. Dirigindo-me à caixa para pagar as compras, optei por passar primeiro com o carrinho que estava na metade, porque não tinha noção de quanto custaria a compra.

E ao terminar de passar o primeiro carrinho, pedi para me dar o valor total da compra. Quando eu vi o valor, era mais do que o dinheiro que eu tinha, que por sinal era metade da ajuda de custa que o Júlio recebia.

E vergonhosamente, fui pedindo para tirar algumas compras até dar a quantia que eu tinha levado. Na verdade era tudo o que eu podia pagar naquele momento.

Ao chegar a casa, a esposa madura, disse-me: “Olha Viviane, você precisa dizer quanto foram as compras para que possamos dividir as despesas. Tem que me dizer a mim e à outra esposa.”

Esta casa foi a primeira experiência que tive de morar com outras pessoas que não eram da minha família. E a experiência não foi das melhores. A esposa recém-casada não saía do quarto. Não ajudava na limpeza e nem nas despesas da comida.

Eu tinha apenas 18 anos de idade. Não sabia pedir ajuda. Nunca imaginaria que isso pudesse acontecer com algo que para mim era tão natural: Limpar, ajudar nas despesas e estar presente.

Os maridos chegavam, ambas as esposas iam servi-los com aquilo que eu tinha comprado, sem ao menos terem dado nenhuma parte.

Eu não sabia pedir ajuda. Eu não conseguia entender que eu tinha que falar para resolver o problema. Então ao invés de resolver, fui ficando vergonhosamente avara.

Não lhes dizia nada, mas esperava ajuda delas. E os meus pensamentos começavam a nutrir maus olhos. Eu dizia para mim mesma tanta coisa absurda. Em outras palavras… eu estava-me a desconhecer diante daquela dificuldade.

É certo que elas tinham que colaborar: Dividir as despesas. Ajudar na limpeza. Ser presente. Mas eu também não estava certa pelo simples fato de fazer tudo certinho, tendo no entanto maus olhos e pensamentos egocêntricos.

Neste tempo, eu tive que fazer uma viagem rápida a Portugal. E a esposa do bispo recepcionou-me como eu sempre tinha aprendido com a minha mãe. Com um sorriso enorme, com todas as necessidades supridas no banheiro, no quarto e no apartamento.

Quando entrei no banheiro e vi tudo quanto ela tinha preparado para mim, fiquei com a “cara no chão”. Aquela oferta dela falou tanto comigo, que comecei a chorar dentro do banheiro. Vi-me tão pobre, tão mesquinha. Coisa que eu nunca seria capaz de conceber em minha mente, que seria. Percebi que as dificuldades me fizeram reagir na carne e não soube amar como deveria.

Tive medo de ser quem eu era para as esposas que moravam comigo, de dizer a verdade e de resolver os problemas. E por causa disso estava a tornar-me alguém reprovável aos meus próprios olhos. Estava a apontar o erro e a cometer o mesmo erro que elas.

Como?

Eu apontava que elas não ajudavam; eu ajudava-as em tudo, porém criticando. Em outras palavras, sendo falsa.

Que justiça era essa?

Querendo cobrar justiça quando eu mesma estava a ser injusta.

Jesus disse:

“Mais bem-aventurado é dar que receber.”

Atos 20:35

Sai de Portugal com outra visão do que eu tinha que fazer. Decidi não mais pagar com a mesma moeda. Decidi lutar contra a minha própria carne, aprendendo a servir quando não há a colaboração de ninguém. Depois desse dia não fui perfeita, mas comecei a prestar atenção às minhas ações quando não recebia nada em troca.

Cheguei de volta à casa e decidi mudar as minhas atitudes injustas.
O centro da minha atenção foi resolver as minhas falhas.

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