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A agricultura

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Quando Portugal aderiu à então CEE recebeu muitos fundos comunitários chamados de estruturais, para que as diferenças de infraestruturas e desenvolvimento pudessem ser diminuídas em relação a outras regiões da euro comunitária. Fundos estes que chegaram ao nosso país para contribuir para o desenvolvimento não só das estradas, mas também das cidades. E foi o “el dourado” da construção civil, com o surgimento de várias empresas dos chamados empreiteiros e subempreiteiros.

Muitos industriais utilizaram estes fundos comunitários alegadamente para investir em bens de uso próprio. Como resultado desta falta de visão empresarial, uma boa parte das empresas industriais portuguesas perderam competitividade diante das suas congéneres europeias.

Para além deste problema, o nosso país teve de dar contrapartidas em relação aos fundos recebidos, aceitando diminuir as quotas de produção agrícola, pecuária e piscatória. Ora, todos nós nos lembramos dos subsídios que foram atribuídos para que as vinhas e as demais produções agrícolas fossem arrancadas da terra, assim como os subsídios para o abate de barcos de pesca. Portanto, o que era produzido em Portugal era consumido por cá, logo permitia que não fosse necessário excesso de importações, ou seja, para que os fundos entrassem por cá teríamos de importar os bens que tinham recebido subsídios para serem arrancados da terra. A verdade é que nos deram com uma mão e tiraram-nos com as duas.

Muitas empresas abriram falência, levando muitos trabalhadores para o desemprego, mas as que conseguiram resistir às adversidades da crise e conseguiram reinventar o seu negócio estão a superar as dificuldades. Inúmeras indústrias conseguiram mesmo voltar às luzes da ribalta, como foi o caso do calçado, do vestuário, do azeite, do vinho e da agricultura, tendo muitos empregos sido criados por estes setores.

A prova de que Portugal pode vencer estes tempos difíceis é a forma como muitas empresas conseguiram encontrar saídas para a retração do consumo interno, que foi o rei e senhor da década de 90. Observamos hoje que as empresas que aumentam a sua faturação são as que exportam grande parte da sua produção. Daqui podemos concluir que se não nos acomodarmos, conseguirmo-nos reinventar, levantarmos a cabeça e confiarmos que conseguimos superar, então, conseguiremos vencer!

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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