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Êxodo em Portugal

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Na década de 60 estávamos a viver em plena ditadura mas esta já começava a demonstrar alguns sinais de estar a quebrar, pois foi quando Salazar começou a perder a força até ceder o seu lugar a Marcello Caetano. Para além de toda a pressão que o governo ditatorial exercia sobre o povo português, o nosso país ainda enfrentava outro grande flagelo, as guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, o que obrigou muitos jovens em idade de cumprir o então serviço militar obrigatório a “dar o salto”, ou seja, a sair de Portugal para desta forma fugir ao serviço militar.

Para além dos jovens que saíam do país também muitas outras pessoas o faziam, uma vez que em Portugal não existiam muitas oportunidades de trabalho e as que existiam eram muito mal remuneradas. Foi a década em que o nosso país mais perdeu população.

Depois da ditadura ter sido vencida pelos Capitães de Abril, os portugueses estavam cansados da guerra colonial, surgindo, então, a democracia tão desejada e esperada. Mas ainda assim Portugal viveu sensivelmente quatro anos muito complicados, os do PREC, até existir estabilidade política e social. Ainda assim tivemos ajuda externa por duas vezes, em 79 e em 83.

Após a entrada de Portugal na UE, o nosso país passou a viver tempos menos complicados, uma vez que os fundos comunitários serviram para diminuir significativamente as diferenças estruturais, ou seja, através da criação de vias rodoviárias. Passámos de país de emigração a país de imigração, recebendo muitas pessoas oriundas de países de leste, outras vindos da América latina, principalmente do Brasil, o que provocou um aumento da população portuguesa.

Com o surgimento da crise económica, que causou um terramoto financeiro com hipocentro nos Estados Unidos da América e que se abateu fortemente em Portugal em meados de 2009, o nosso país agonizou nos últimos dois anos. Tal realidade tem levado muitas pessoas a emigrar, mostrando os dados divulgados que Portugal perdeu cerca de 10 mil pessoas por mês durante 2012, temendo-se que quando saírem os dados de 2013 estes sejam ainda mais assustadores.

A austeridade, tal como tem sido posta em prática, tem vindo a delapidar o maior e melhor recurso do país, os jovens licenciados, o qual sorveu muitos recursos do Estado na formação académica.

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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