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E a crise?

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Portugal está desde meados de 2011 a viver um dos piores momentos da sua longa História, pois está sob um programa de assistência económica e financeira, isto porque perdeu a capacidade de contrair crédito de forma independente, quer dizer conseguir até conseguia, mas teria de pagar esse dinheiro a taxas de juro muito elevadas. Por este facto, foi pedido o apoio das instâncias internacionais que já estavam a resgatar a Irlanda e a Grécia, ou seja, tanto a classe política como a opinião pública portuguesa já tinham os exemplos deste dois países para saberem ou, pelo menos, terem uma pequena ideia do que aí vinha para Portugal. Foram feitos muitos cortes na despesa pública, que caso não se saiba teria de tocar na “fatia do bolo” mais sensível, ou seja, nos salários, reformas e pensões.

Para além disso, cada ministério teve de reduzir o seu orçamento, o que afetou setores importantes tais como a saúde e a educação, isto só para citar os mais sensíveis. Mas não se mexeu nas Parcerias Publico Privadas, quer dizer que se renegociaram os contratos, fizeram-se umas diminuições nas rendas a pagar… enfim, apenas umas “operações de cosmética”, o que causou uma profunda revolta social.

Existiam discursos muito negativos de que iríamos entrar numa espiral recessiva, que com as medidas adotadas íamos mesmo ter um segundo resgate… mas, graças a Deus, isso não aconteceu. O ano de 2013 foi muito duro do ponto de vista orçamental e 2014 não será diferente, mas ainda assim a economia portuguesa está a dar sinais de melhoria. Dizem os “velhos do Restelo” que tal ainda não se fez sentir no bolso das pessoas, pois, de facto, é verdade, mas se pensarmos um pouco sobre quando a crise se começou a instalar em Portugal também esta não foi sentida de imediato. Afinal, é bom começarmos a observar o “copo meio cheio” em vez de sempre “meio vazio”.

Só que neste programa de assistência, o Governo português cometeu um erro muito grande, por não ter começado o seu trabalho por uma profunda reforma do Estado, isto porque se não se resolver o problema desde a raiz dificilmente o teremos resolvido.
Esperemos que os indicadores de todas as instituições estejam corretos porque, se assim for, a luz que se vê é mesmo o fim do túnel.

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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