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Greves, direito ou não?

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A Constituição Portuguesa prevê o direito ao trabalho e à greve, dois direitos absolutos que servem de base às regras para se viver em sociedade. Mas a grande pergunta que se coloca nos dias de greve é: qual destes dois direitos é mais importante? Todos nós apreciamos o direito à liberdade e agradecemos a todos os grandes homens que fizeram a Revolução do 25 de Abril de 1974, pois, através deste feito, passou a existir o direito à liberdade em toda a sua ascensão. Só que parece que o conceito de liberdade tem vido a sofrer mutações. Portugal, desde meados de 2009, que enfrenta várias greves, desde as gerais às mais específicas, como, por exemplo, a dos professores, a dos transportes…

Este direito tem sido utilizado demasiadas vezes e ai do Governo se fizer requisição civil. Todos criticam os governos que utilizaram a requisição civil para esconder a greve. Contudo, não vejo estes mesmos senhores criticarem os famosos piquetes de greve que impedem os colegas que querem trabalhar de trabalhar. E aqui podemos observar várias situações: dizem os defensores dos piquetes que estamos a impedir os trabalhadores de trabalhar porque foram obrigados, de forma subtil.

Só que ninguém pensa que se calhar as pessoas querem trabalhar porque precisam do dinheiro ou simplesmente porque querem trabalhar. Das duas uma ou as centrais sindicais não estão tão convictas das suas razões ou esquecem-se de um direito que tanto reclamam para si próprios, a liberdade. Pois é todos temos de respeitar o direito à greve, mas os senhores do piquete não respeitam o direito de trabalhar dos trabalhadores que o querem fazer. Na manhã da última greve geral, estava a tomar o pequeno almoço e as estações de televisão faziam as sondagens dos efeitos que a greve estava a ter na vida do povo português. Mas como as pessoas entrevistadas não disseram à senhora jornalista que concordavam totalmente com a greve, a sondagem dos efeitos parou logo ali.

Esta situação leva-me a pensar qual será o verdadeiro conceito de liberdade e chego a uma rápida conclusão: o ser humano vive iludido que é livre, mas a realidade é outra completamente diferente, porque a grande maioria é presa a algo ou a algum sentimento interno, só existindo liberdade quando o ser humano é totalmente livre dentro de si mesmo.

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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João Marques (Portugal) Responder 7 Julho, 2013 às 16:59

A melhor greve que se pode fazer é no dia das eleições que consiste em fazer greve ao voto nos politicos que têm destruido o país de modo a deixar esses partidos sem representação na Assembleia da Républica e votando nos outros mais pequenos.