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Os vícios e a normalidade

viciado

O tabaco é um vício que causa muitos problemas de saúde, mas isto já todos nós sabemos, contudo, deixo aqui uma pergunta: porque é que não se consegue acabar com o tabaco, as bebidas ou até mesmo as drogas? Mas será que não se consegue ou não se quer? Bem eu diria que estas perguntas são para um milhão de euros, pois ninguém sabe, ou quer, responder. A realidade é, afinal, de simples compreensão, uma vez que estes vícios representam uma grande fonte de rendimento para os Estados e não só, ou seja, alimentam muito a economia (in)formal.

Se for um comerciante que tem um restaurante, com tudo legalizado, em que as datas dos ingredientes estão válidas, mas se o bico do fogão emitir chama com uma ligeira quebra, as autoridades (ir)responsáveis apressam-se a encerrar as portas, sem grande preocupação com o desemprego. Uma das coisas que mais despertou atenção nesta edição foi o facto das crianças começarem a consumir bebidas alcoólicas cada vez mais cedo. Só que pior ainda é o facto de tal realidade ser “patrocinada” pelos paizinhos e mãezinhas, que consideram tão engraçado ver uma criança de seis anos beber um pouco deVinho do Porto. Quando pensávamos que as épocas das “sopas de cavalo cansado” teriam passado à história e que eram alimentos do tempo da “outra senhora”, afinal não é bem assim, pois continua a acontecer em pleno século XXI! Parece que vivemos num mundo virado de pernas para o ar, pois tudo aquilo que há uns anos parecia mau, hoje a sociedade aceita como se existisse uma aparente normalidade. Apesar de todos criticarem, no que respeita a atitudes concretas nem vê-las.

Existe uma preocupação com uma instituição que, há mais de 36 anos, luta para tirar muitas pessoas dos caminhos dos vícios das drogas. Muitos foram livres de um caminho sem volta, ou seja, dos vícios do álcool, do tabaco ou até mesmo do jogo, o que lhes permitiu ter uma vida reconstruída e serem hoje pessoas válidas. Mas isto diria eu que são sinais dos tempos! Não considero tal situação normal, contudo, significa apenas que as pessoas consideram muito mais importante viver uma vida seguindo a multidão do que fazer o caminho contrário, pois quem o faz é visto muitas vezes como estranho.

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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