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Praxes, sim ou não?

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O trágico acidente na praia do Meco, no passado mês de dezembro, voltou a colocar na ordem do dia o debate sobre as praxes no ensino superior. A questão que nos podemos colocar é se realmente estas práticas são boas ou não. Existem em todos os inícios de ano letivo do ensino superior as famosas receções aos caloiros, nome atribuído aos alunos com a primeira matrícula na universidade. Rituais que anualmente têm lugar nos pátios das escolas superiores ou nos parques e praças próximos.

A História mostra que esta tradição é originária de Coimbra, que durante muitos e muitos anos foi a única universidade em que se praticavam as praxes e onde existia uma lei própria. Com a Implantação da República, esta prática foi abolida, mas voltou alguns anos mais tarde, tornando-se generalizada em todas as escolas superiores a partir dos anos 80.

Se em algumas escolas superiores existem praxes que podem ser consideradas uma receção de boas vindas aos estudantes, noutras, muitas vezes, acabam por acontecer excessos, os quais podem vir a ter efeitos dramáticos, como a perda
de vidas, que deixam famílias completamente devastadas.

A tragédia do Meco foi a gota de água que trouxe à tona todas as críticas feitas às praxes, mas esta fatalidade aconteceu por uma prática extra praxe tal como é conhecida no que diz respeito à receção aos novos estudantes, uma vez que os estudantes que estavam no Meco não eram alunos de primeira matrícula. O caso já fez “correr muita tinta” e promete fazer “correr” ainda muito mais, pois existem muitos dados por explicar, ou mal explicados. Porém, a maior dor que fica desta terrível história é junto dos familiares que perderam os seus jovens.

Daqui para a frente poder-se-á cair num extremo do anti-praxe, já que estas práticas são difíceis de controlar na totalidade e se as universidades ou politécnicos as proibirem “dentro das suas portas”, parece-me a mim que estas vão acontecer em outros locais com efeitos menos controlados. O mais importante é que estas práticas possam ser apenas de integração dos alunos e não de humilhação, pois deve-se respeitar o ser humano.

João Filipe
Diretor – Folha de Portugal

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