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A morte ronda Israel

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Governo sírio ameaça atacar os vizinhos israelenses caso ocorra intervenção militar dos Estados Unidos e países aliados

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Eles não tinham marcas em seus corpos. Não havia cortes, furos ou sangue. Ainda assim, os resquícios de uma última expressão de agonia eram bem evidentes em seus rostos. As imagens de corpos de crianças e adultos estendidos no chão após ataques com armas químicas na Síria, no último dia 21 de agosto, estarreceram o mundo.

De acordo com o jornal norte-americano The Washington Post da última sexta-feira (30), a inteligência dos Estados Unidos encontrou indícios de que o governo do ditador sírio Bashar al-Assad ordenou o ataque com armas químicas que matou quase 1,5 mil cidadãos, formando o tétrico quadro narrado acima, que chocou a comunidade internacional.

Os agentes norte-americanos interceptaram comunicações entre os militares do governo, que teriam lançado foguetes que liberaram gases venenosos e vitimaram rapidamente milhares de pessoas de todas as idades, que se contorceram até a morte.

Assad está no governo desde 2000, quando substituiu seu pai na presidência – que, por sua vez, ocupou o cargo por 30 anos, anulando os partidos concorrentes e governando com “mão de ferro”. O povo sírio tomou as ruas pedindo a deposição do presidente, após décadas de desmandos dele e de seu antecessor, que causaram a falência da economia e uma decadência sem precedentes na qualidade de vida dos seus cidadãos.

A Síria parecia ter saído ilesa dos protestos da chamada Primavera Árabe, que em 2011 causaram a queda de ditadores dos vizinhos Egito, Iêmen e Tunísia. Parecia. Após anos e anos de autoritarismo exacerbado, rebeldes tomaram armas, seguidos por membros do próprio exército sírio que desertaram e engrossaram as tropas da oposição. Milhares de militares, guerrilheiros e civis já morreram nos confrontos, e até a oposição sofreu rachas e gerou diferentes facções – de fundamentalistas e moderados.

Como se não bastasse, os Estados Unidos buscam formar uma coalizão com alguns países para atacar a Síria após o uso de armas químicas ter se tornado público em 21 de agosto. Embora o primeiro-ministro britânico, David Cameron, concordasse em partir contra Assad, o parlamento inglês disse não, na maior derrota política do líder do governo até agora. A França disse sim. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, continua a procurar aliados e já movimentou as tropas em países e mares vizinhos.

A situação política é ainda pior do que parece. Acontece que a Rússia, o Irã e a China apoiam Assad. Os Estados Unidos, por sua vez, fornecem equipamento e treinamento aos rebeldes. Organizações não governamentais que trabalham pela paz acusam governo e oposição por atos hediondos de violência. E a Organização das Nações Unidas (ONU), até agora parece não saber direito o que fazer, apesar de seus esforços.

Alvo: Israel
Patriot_08A Síria, diante da probabilidade cada vez mais forte de os Estados Unidos partirem para uma ofensiva, contra-atacou com uma séria ameaça. Se for atacada, atacará um vizinho com quem já vinha tendo alguns problemas: Israel. O recente ataque químico pôs os israelenses da fronteira em polvorosa, e kits com máscaras de gás e outros equipamentos foram distribuídos a várias famílias. Só que há mais gente que máscaras, e milhares estão em filas esperando novas remessas – enquanto outros compraram por conta própria ou fogem para outras regiões. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comunicou ao público que não há o que temer por enquanto, mas a distribuição de proteção anti-gás continua.

Embora queira parecer tranquilo, Netanyahu afirmou que Israel responderá com força caso seja atacado. Sistemas anti-mísseis Patriot (como o da foto ao lado) já foram istalados na fronteira para impedir a entrada de possíveis foguetes sírios com veneno químico no espaço aéreo israelense.

A guerra, figura-chave nos relatos bíblicos do Fim dos Tempos, em Apocalipse, a cada dia toma mais forma. As grotescas fotos da semana passada comprovam. E o Oriente Médio, citado na Bíblia como palco dos conflitos apocalípticos, fica mais complicado – o Egito passa por um delicado momento político, com os militares, no poder, atacando a população insurgente.

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