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CdA ajuda no combate à fome na África

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9kDe acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 29% das crianças na Namíbia sofrem com raquitismo por desnutrição, correndo o risco de morrerem ainda na infância.

Esse problema afeta não apenas a saúde física dos pequenos, como também a saúde mental. Sem alimentação adequada, as crianças não conseguem absorver o conteúdo transmitido pelos professores, além de sofrerem com excesso de sono, por dormirem mal em casa. Fracos e cansados, muitos dos estudantes sequer vão à escola com a frequência mínima desejada.

PNA Sauerwein, diretor da escola primária Otjmuise, afirma: “A maioria de nossos estudantes vem de uma vizinhança muito pobre e marginalizada.”

Apesar de possuir muitos recursos naturais, a desigualdade social no país é gritante, fazendo com que os mais pobres sofram severamente com a miséria. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 55% da população vive com menos de R$ 7,21 por dia, abaixo da linha da pobreza.

O diretor da escola primária Olof Palme, JNK Hangula, afirma que dos 1.282 estudantes cadastrados na instituição, 600 são órfãos ou crianças em situação de vulnerabilidade. E essa é a realidade que se repete por todo o país.

A pobreza que afeta a vida escolar das crianças afeta também o futuro do país, já que a educação é a base para o desenvolvimento pessoal e social. Sem o aprendizado, a situação se repetirá por décadas, impossibilitando a construção de uma sociedade melhor. Por isso é tão importante o trabalho que a Universal realiza.

Alimentando sonhos

Há 4 anos, representantes do CdA – incluindo o responsável pela evangelização na Namíbia, bispo Alaor Passos – conversavam com Kuben Naidoo, empresário namibiano, dono de 82 lojas da franquia de restaurantes KFC. Na época, o empresário doara brinquedos para serem distribuídos nas escolas. Após esse trabalho, o bispo voltou a procurar por Naidoo. Dessa vez por um motivo diferente.

“Falamos com o senhor Kuben Naidoo sobre o mau estado dessas crianças. Falamos que as escolas reclamavam que elas não se desenvolviam bem nos estudos por estarem com fome”, conta o bispo Alaor. “Então dissemos que gostaríamos de também doar alimentos. Ele gostou da ideia e disse: ‘Vamos mudar as doações de brinquedos para merenda escolar.’ Nasceu o projeto Add Hope.”

“ADD HOPE”, em português, significa “Acrescente Esperança”, conforme explica o próprio bispo. O projeto consiste em uma doação de 50 centavos de cada lanche consumido na rede de lojas do empresário. O Centro de Ajuda recolhe esse valor e cerca de 80 voluntários compram, preparam e servem alimentação às crianças diariamente.

No início eram atendidos 400 estudantes. Atualmente, mais de 2,5 mil alunos de escolas primárias das periferias da capital nacional, Vinduque, fazem parte do projeto. As escolas atendidas são Otjmuise (do bairro homônimo), Tobias Hainyeko (de Okuryangava), Olof Palme (de Greenwell Matongo) e Augeikhas (de Dolan).

Muitas outras escolas estão na “fila” para conseguir o benefício, que, realizado em parceria entre o CdA e o KFC, não gera custo algum ao Governo.

O diretor da escola Tobias Hainyeko, JS Kabala, destaca: “Desde que os nossos alunos foram beneficiados por esse projeto, a performance, aparência e concentração deles mudaram. Os estudantes estão ganhando peso e até as ausências nas aulas foram reduzidas por causa da merenda fornecida.”

Planeamento

O projeto, que teve início em 2012, cresceu mais de 500% em apenas 4 anos. E isso não é por acaso. Antes de ser iniciado, esse trabalho teve um cuidadoso planeamento. O bispo Alaor conta como foi:

“Antes de iniciar esse projeto, entrevistamos muitas crianças nas escolas, algumas das quais não têm nada para comer em casa. Elas vão para a cama com o estômago vazio. Algumas delas pararam de ir à escola por causa da fome, enquanto outras acabam dormindo nas salas de aula. Muitas crianças realmente perderam a esperança de escolaridade por causa de suas condições.”

De acordo com ele, existem crianças na região que reviravam lixo para comer restos e, dessa maneira, acabavam hospitalizadas por causa de doenças. Outros comiam apenas um ovo por dia.

“Nessa pesquisa descobrimos que quase toda semana um aluno era levado para o hospital por causa da má nutrição. Em outros casos, as crianças são órfãs. Também existem alunos infectados com HIV – um problema muito sério, principalmente no continente africano –, que precisam de uma boa alimentação para continuarem com o seu tratamento.”

“É muito claro que, desde que começamos a fornecer a merenda para os alunos, o desempenho deles no trabalho escolar melhorou. Alimentar os estudantes na hora do intervalo permite a eles ter energia suficiente para a última parte do dia. Essa merenda pode ser a única refeição decente do dia para muitos deles”, afirma o diretor Sauerwein.

Esse é o tipo de trabalho que fez com que até mesmo o presidente da Namíbia reconhecesse a importância do CdA na sociedade e convidasse o bispo Alaor para uma reunião.

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