Notícia

Empresas "míopes"

Internacional, Nacional, Notícias |

Não adianta tentar fazer o correto quando a visão já começa errada

empresas

A empresa de Fernando ia de vento em popa. Uma administradora de condomínios em São Paulo. Dezenas de prédios residenciais e comerciais tiveram suas contas exaustivamente revisadas e passaram a estar “no azul”. Síndicos corruptos foram colocados em seus devidos lugares – fora – e novos condôminos descobriram sua aptidão para o cargo. Edifícios de aparência decadente ganharam novos ares, que valorizaram o imóvel. Um amplo trabalho de conscientização dos moradores em relação às regras de boa convivência e à necessidade de pagar as taxas em dia contribuíram para tudo isso, fazendo com que todas as pessoas envolvidas contribuíssem para os bons resultados.

A prosperidade da empresa apresentava-se como uma realidade. Houve a fase de procurar clientes. Houve a de mostrar serviço. Agora parecia ter chegado a da “zona do conforto”, e Fernando podia respirar mais tranquilo.

É, a empresa de Fernando ia de vento em popa. Ia. Não vai mais.

Como se baseou no “vento” e ele se mostrou mais fraco, a administradora estava em ameaça de ficar à deriva. Pior: de naufragar. O “vento” forte, no caso, era um megacondomínio com milhares de apartamentos. Aquele complexo habitacional era o que mais dava trabalho a Fernando, tanto pelo tamanho quanto pela péssima e corrupta gestão anterior, que afundou o imóvel em dívidas – solucionadas pelo novo administrador. Acontece que o síndico e o conselho decidiram que, quase resolvidos os citados problemas, não precisavam mais dos serviços daquele que pôs “ordem na casa”.

Fernando entendeu que deixara de lado a procura de novos clientes por se sentir seguro demais com a presença do enorme condomínio. O administrador decidiu que era hora de voltar àquela antiga fase da procura por novos clientes – e que ela não deveria parar, por mais clientes satisfeitos que já tivesse. Não valia a pena depositar o destino da empresa nas mãos de uma só fonte – e os pequenos e médios, antes tidos como não tão importantes, agora é que a seguravam.

Visão tacanha
“Mas, espere”, dirá o leitor, “Fernando não atendeu as necessidades dos condomínios em organizá-los estrutural, financeira e administrativamente, fazendo-os funcionar bem?” Sim. Fernando conhecia muito bem seu produto, sabia vendê-lo bem, e era voraz pesquisador de novas formas eficientes de administrar imóveis, mas descuidou um pouco da necessidade da empresa. É preciso ter equilíbrio – que, se pensarmos bem, é necessário entre todos os aspectos da vida física, psicológica e até da espiritual.

Há quem cuide muito bem dos afazeres na Igreja e deixe a família em segundo plano, por exemplo. Ou quem dê atenção integral ao marido ou à esposa e se descuida do relacionamento com Deus, incorrendo num dos vários tipos de idolatria. Essa pessoa sabe que é um ótimo marido, uma ótima esposa, e ali está o seu ponto forte. Põe suas energias nessa qualidade que descobriu, mas menospreza as outras. Se procurasse analisar também seus pontos fracos, procuraria fazer com que eles causassem menos danos.

jose

O exemplo de José
O Egito era uma superpotência mundial na época em que José, filho de Jacó, foi vendido como escravo. Ainda o era quando o jovem ganhou a simpatia do faraó por sua prudência e inteligência – frutos de sua obediência a Deus – e avisou sobre a fome que grassaria sobre aquelas terras. O monarca podia somente refestelar-se da riqueza e da farta comida de seu reino naquele momento de prosperidade, assim como seus súditos. Contudo, encarregou José de elaborar uma estratégia de reserva para os tempos de penúria.

José aproveitou a hora de fartura para estocar alimentos para todo um país. Armazéns nas principais regiões egípcias foram abastecidos, e o reino atravessou o período de escassez com segurança, num dos maiores exemplos de logística bem realizada da História.

A propósito, voltando ao personagem inicial, Fernando enxergou a tempo seu ponto fraco e dá hoje tanta atenção aos pequenos condomínios quanto aos grandes, e fortaleceu sua equipe de prospecção de novos clientes. Ele mesmo se matriculou na pós-graduação de uma conceituada universidade brasileira e pretende aplicar o aprendizado na empresa – a cadeira confortável de sua sala já não é tão atraente quanto antes, a falta de atividade e evolução o incomodam.

Os ventos começaram a soprar novamente, aos poucos. Mas há Alguém mais capacitado no timão. Ele sabe que vale a pena se preparar – tanto para as tempestades quanto para a calmaria.

Imagens: ThinkStock e Rede Record

Deixe o seu comentário

Ou preencha o formulário abaixo.

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *