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“Fui espancada 30 vezes no mesmo dia pelas minhas próprias crianças”

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O rosto angelical das crianças descarta qualquer suspeita. Quem vê a foto da família reunida nem desconfia o drama vivido pela mãe.

A realidade é que a norte-americana Pauline Bubb, de 47 anos (na foto com os filhos), apanha diariamente das próprias crianças. A primeira agressão partiu do filho Spencer, de 11 anos, com um golpe de tesoura no estômago dela. E, por incrível que pareça, ele só tinha 4 anos de idade. Apenas uma das gêmeas, de 9 anos, não agride a mãe. Ela costuma ficar em silêncio e muda de cômodo quando presencia os abusos por parte dos irmãos.
Em entrevista ao jornal britânico Mirror, a mãe revela detalhes do cotidiano dela. Para fugir da violência, por exemplo, ela se tranca no banheiro. Em lugares públicos, cobre as pernas com vergonha de mostrar as marcas das agressões.

Pauline, que já teve o rosto mordido pela filha e quase foi estrangulada pelo filho, se sente prisioneira na própria casa. A mãe sente palpitações e o corpo trêmulo quando se aproxima o horário da volta da escola. Ela sabe que poderá ser agredida a qualquer instante. As sessões de tortura podem começar até mesmo com a simples negativa da mãe ao pedido dos filhos para comerem salgadinhos. E ainda existe uma “regra” de como exatamente ela deve responder para a filha não “sentenciá-la”, lhe batendo e repetindo o pedido 20 ou 30 vezes. A mãe não pode, por exemplo, além de dizer “não”, piscar, falar muito rápido ou alto e estar sentada.

Durante todos esses anos, Pauline esteve assombrada pelo medo e com vergonha de contar isso para alguém. Porém, a história dela é a mesma de várias outras mulheres, que também compartilham seus dramas no “Minha criança violenta” (no original, “My violent child”), um programa de tevê, nos Estados Unidos, que ajuda famílias a lidar com o comportamento agressivo dos filhos.

REPR.690x460 (1)Punir ou disciplinar?

Na expectativa de mudar comportamentos como esses, pais buscam tratamentos mais rigorosos. Anualmente, milhares de crianças norte-americanas são enviadas para um dos mil particulares “Campos de Tratamento” espalhados pelos Estados Unidos (foto ao lado). Eles são destinados a crianças dos 5 aos 14 anos e funcionam como uma espécie de “acampamento militar”, com arame farpado, exercícios obrigatórios e marchas que podem durar a noite inteira.

Os populares campos de disciplina são formados por ex-fuzileiros navais e já estão, fortemente, inseridos na cultura norte-americana. Disciplina e respeito são as palavras de ordem, numa indústria que movimenta acima de US$ 2 bilhões por ano.

Mas será que funciona?

Para a psicóloga Marisa de Abreu, especialista em terapia comportamental, esse tipo de “punição” parece exagerada. “Tentar fazer alguém deixar de ser violento impondo violência me parece algo muito insensato.”

As crianças podem agir violentamente por fazer associações desconexas ao conteúdo que veem em jogos ou na mídia, por exemplo, assistindo a um filme com cena de abandono. Isso pode fazer a criança pensar que o mesmo poderá acontecer com ela, gerando raiva e medo. “A agressividade não deixa de ser uma criança que está dizendo ‘preciso de algo’. Às vezes essa criança não teve condições de entender como comunicar isso sem ser violenta”, afirma.

O que fazer com um filho violento?

Muitas famílias que vivem esse drama já recorreram a vários meios, mas afirmam que ainda não alcançaram resultados significativos e a total libertação de suas crianças.

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