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Holanda dá “tiro no pé”

Internacional |

BairroLuzVermelhaO país piorou com a legalização da prostituição e das drogas, e, agora, 67% da população é a favor de medidas menos liberais

A Holanda, um dos países mais liberais da Europa, está em conflito com os seus conceitos liberais. O país que legalizou a eutanásia, o aborto, o casamento gay, as drogas e a prostituição, reconhece que essa posição piorou o país e iniciou medidas para reparar os danos.

A Holanda descriminalizou o consumo de cannabis em 1976 e legalizou a prostituição em 2000. O resultado foi a degradação do país. Amsterdão tem 14 prostitutas para cada mil habitantes. O tráfico de mulheres aumentou 260% nos primeiros três anos da legalização dos bordéis. E as prisões por posse ou comércio de cocaína, heroína e ecstasy (drogas proibidas na Holanda) cresceram 21% entre 2002 e 2006.

O jornalista Thomaz Favaro, em reportagem divulgada na revista Veja, em 2008, com o título “Mudanças na Vitrine” já mostrava bem o que a Holanda estava a viver, ressaltando que, desde que a prostituição e as drogas foram legalizadas, tudo mudou em De Wallen, o bairro da Luz Vermelha, em Amsterdão, como é chamado nos guias turísticos, onde a tolerância é aceite.

“A região do De Wallen afundou num tal processo de degradação e criminalidade que o governo municipal tomou a decisão de colocar um basta. Desde o início do ano, as licenças de alguns dos bordéis mais famosos da cidade foram revogadas. Os cafés já não podem vender bebidas alcoólicas nem cogumelos alucinógenos, e uma lei que tramita no Parlamento pretende proibi-los de funcionar a menos de 200 metros das escolas.

Ao custo de 25 milhões de euros, o governo municipal comprou os imóveis que abrigavam dezoito prostíbulos. Os prédios foram reformados e as vitrines agora acolhem galerias de arte, atelier de design e lojas de artigos de luxo”, afirma. A reportagem destaca ainda que a legalização da prostituição na Holanda resultou “na explosão do número de bordéis e no aumento da demanda por prostitutas”.

De 2008 a 2015, cerca de 115 das 500 vitrines do bairro já foram fechadas. A cidade de Amsterdão quer fechar parte dos famosos bordéis do bairro da Luz Vermelha para lutar contra a criminalidade e o tráfico de seres humanos, de acordo com a imprensa holandesa. Cerca de 7 mil pessoas trabalham no ramo do sexo em Amsterdão, sendo que 75% vêm do Leste Europeu, segundo fontes oficiais.

CoffeShopDrogsE a legalização da droga?

“O objetivo da descriminalização do cannabis era diminuir o consumo de drogas pesadas. Supunham os holandeses que a compra aberta tornaria desnecessário recorrer ao traficante, que em geral acaba por oferecer outras drogas. (…) O problema é que Amsterdão, com os seus cafés, atrai ‘turistas da droga’ dispostos a consumir de tudo, não apenas cannabis. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boémio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa”, afirma a reportagem.

Na altura, o criminologista holandês Dirk Korf, da Universidade de Amsterdão, afirmou à revista: “Hoje, a população está descontente com essas medidas liberais, pois elas criaram uma expectativa ingénua de que a legalização manteria os grupos criminosos longe dessas atividades”. E, de facto, pesquisas revelam que 67% da população holandesa é, agora, a favor de medidas mais rígidas.

A experiência holandesa não é a única na Europa. A Suíça e a Dinamarca também precisaram recuar na tolerância com as drogas e a prostituição. Contudo, ainda existem pessoas que defendem que as drogas, o aborto, a prostituição, etc., devem ser legalizadas, citando a Holanda e outros países como exemplo de “modernidade”.

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